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Oposição de El Salvador define candidatos para enfrentar Bukele, que busca terceiro mandato

Ex-deputada Mayteé Iraheta, da Arena, e líder sindical Rafael Aguirre, da FMLN, iniciam a corrida eleitoral com poucas chances contra o atual presidente

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jul 2026, 14h56 | Atualizado em 27 jul 2026, 15h26
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Os dois principais partidos tradicionais de El Salvador oficializaram no domingo, 26, seus candidatos para disputar as eleições presidenciais em fevereiro de 2027 contra o atual presidente, Nayib Bukele, favorito para conquistar um terceiro mandato consecutivo.

A legenda direitista Aliança Republicana Nacionalista (Arena) escolheu a ex-deputada Mayteé Iraheta, enquanto a esquerdista Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN) lançou o líder sindical Rafael Aguirre. Ambos iniciam a campanha em desvantagem diante de Bukele, cuja aprovação supera 80%, impulsionada principalmente por sua política de combate às gangues e à violência. 

Ao apresentar sua candidatura, Iraheta afirmou que pretende preservar os avanços na área de segurança, mas defendeu que eles beneficiem toda a população. Já Aguirre propôs um “diálogo nacional” e prometeu oferecer uma alternativa ao atual modelo de governo.

Há duas semanas, o partido governista Novas Ideias oficializou a candidatura de Bukele, de 45 anos, para um novo mandato que poderá mantê-lo no poder até 2033. A candidatura só foi possível após uma série de controversas reformas legais. Em julho de 2025, o Congresso, dominado por aliados do governo, eliminou o limite de dois mandatos consecutivos, autorizou a reeleição por tempo indeterminado, ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos e extinguiu o segundo turno das eleições.

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Governo Bukele e incerteza econômica

Eleito em 2019, Bukele foi responsável por iniciar uma política de linha-dura no combate a organizações criminosas salvadorenhas, definidas pelo mandatário como “o verdadeiro governo”. Através de um regime de exceção que permitiu detenções sem mandados judiciais, San Salvador prendeu quase 91 mil pessoas supostamente vinculadas a gangues. Entidades como a Anistia Internacional, no entanto, apontam possíveis violações dos direitos humanos que poderiam configurar crimes contra a humanidade.

Embora sete em cada dez salvadorenhos destaquem a segurança como o principal aspecto positivo do país, esta mesma proporção considera a economia o maior problema atual do país, segundo uma pesquisa recente da Universidade Centro-Americana. A economia de El Salvador já é uma das que menos crescem na América Central (3,9% em 2025).

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As dificuldades ganharam força após um acordo firmado em 2024 com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que garantiu um financiamento de até US$ 1,4 bilhão em troca de medidas de ajuste fiscal. Desde então, economistas estimam que aproximadamente 15 mil servidores públicos foram demitidos, enquanto sindicatos falam em até 47 mil desligamentos desde o início do governo Bukele.

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