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Operações de resgate são ameaçadas por nova enchente no Nepal; mortos sobem para 538

Rio represado por detritos da avalanche de terra pode romper e interrompeu temporariamente o trabalho dos socorristas; quase 1.500 seguem desaparecidos

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 ago 2026, 08h48 | Atualizado em 28 ago 2026, 09h15
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As equipes que buscam sobreviventes das enchentes repentinas na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete precisaram suspender as operações nesta sexta-feira, 28, devido ao rompimento de um lago formado pelos detritos do deslizamento de terra por trás das inundações. Os trabalhos já foram retomados, mas a ameaça permanece, enquanto os mortos foram a 538 nesta manhã.

Moradores da cidade nepalesa de Rasuwa, na fronteira com o Tibete, tiveram que correr para encostas de montanhas para escapar de uma possível nova inundação. As operações de resgate em Bidur, na província de Bagmati, no Nepal, foram interrompidos na manhã desta sexta quando o nível do rio Trishuli voltou a subir, após o rompimento das margens do lago próximo à fronteira com a China. Socorristas foram retirados da área, e as pessoas que haviam tentado retornar ao que restara de suas casas foram orientadas a deixar o local imediatamente novamente.

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A emissora estatal chinesa CCTV relatou que a espécie de represa formada no rio começou a transbordar, direcionando a água para a área onde as equipes de resgate atuavam, mas depois informou que o risco de inundações estava “diminuindo gradualmente” depois que o nível do rio baixou quase 10 metros desde quinta-feira. As tarefas de resgate “acontecem de forma ordenada”, acrescentaram as agências de notícias. Não está claro se o lago citado pela imprensa chinesa é o mesmo mencionado pelas autoridades nepalesas.

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Destruição

Antes era uma cidade movimentada às margens do rio Trishuli, Bidur, como várias cidades vizinhas, ficou em ruínas depois que uma parede de água gelada e lama, similar a um tsunami, avançou na quarta-feira 26 sobre a região e sepultou casas, derrubou pontes e arrastou veículos, tanto no Nepal como na região autônoma chinesa do Tibete. A destruição ocorreu ao longo de uma rota que liga Catmandu a Lhasa, no Tibete — um trajeto muito frequentado por praticantes de trekking e peregrinos hindus e budistas.

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Mais de 500 cidadãos estrangeiros estão entre as 826 pessoas desaparecidas no Nepal, um grupo que inclui 177 indianos, 90 americanos, 34 australianos, 33 britânicos e 25 canadenses. A China afirmou que pelo menos 558 pessoas estão desaparecidas no lado tibetano da fronteira, sendo que, desse total, pelo menos 260 são estrangeiros.

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Apenas helicópteros do Exército conseguem acessar a maioria das áreas afetadas. No acampamento militar de Bidur, que coordena grande parte dos esforços de resgate, as aeronaves e militares vão em vêm a cada cinco minutos, transportando dezenas de vítimas. A maioria conta que, em questão de minutos, as enchentes levaram seus entes queridos, suas casas e tudo o que possuíam.

O presidente da China, Xi Jinping, comandou uma reunião de funcionários de alto escalão sobre as operações de resgate e ofereceu ajuda ao vizinho Nepal.

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“Ainda existem muitos perigos ocultos relacionados às geleiras, aos lagos de gelo e aos desastres geológicos na área próxima, e os trabalhos de resgate enfrentam grandes dificuldades”, afirmaram na reunião funcionários do Politburo do Partido Comunista Chinês, segundo a agência estatal Xinhua.

Causa da tragédia

O Centro Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) indicou que a tragédia foi provocada pelo colapso parcial de uma geleira que desencadeou um enorme fluxo de água gelada e sedimentos.

A mudança climática está provocando o derretimento das massas de gelo em todo o mundo, o que eleva os riscos de inundações causadas pelo colapso das geleiras.

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A torrencial massa de gelo e lama também formou enormes acúmulos de água. Um deles se rompeu nesta sexta-feira no Tibete, colocando em risco as equipes que trabalham na área.

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