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Operação militar russa é “declaração de guerra”, diz premiê da Ucrânia

Líder acusa Moscou de oferecer cidadania a militares ucranianos na Crimeia. Presidente diz que russos bloqueiam unidades militares

O primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseny Yatsenyuk, afirmou neste domingo, em pronunciamento na TV local, que a intervenção militar da Rússia na Crimeia, república autônoma no sul do país, equivale a uma “declaração de guerra”. “Se o presidente (da Rússia, Vladimir) Putin quer ser o presidente que iniciará uma guerra entre dois países amigos e vizinhos, ele está alcançado esta meta”, disse Yatsenyuk. “Estamos à beira de um desastre. Não havia nenhuma razão para a Federação Russa invadir a Ucrânia.”

A Rússia não admite oficialmente envio de soldados à região, mas Putin já pediu e recebeu autorização do Parlamento para mobilizar suas tropas rumo ao país vizinho. Além disso, o embaixador ucraniano na ONU, Yuriy Sergeyev, disse neste sábado que mais de 15.000 soldados russos já estavam na Crimeia.

Imagens divulgadas pela televisão local mostraram caminhões militares russos avançando rumo a Simferopol, capital da Crimeia. A região é historicamente ligada a Moscou – cerca de 60% da sua população é de origem russa – e abriga uma das maiores bases navais russas, localizada às margens do Mar Negro.

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Yatsenyuk também acusou o governo de Putin de oferecer cidadania russa aos militares ucranianos presentes na Crimeia. Em relato postado em sua página no Facebook, o ministro disse que “em todo o território da Crimeia, os emissários russos e oficiais militares convidaram as tropas restantes do Ministério do Interior da Ucrânia para receber imediatamente cidadania e passaporte russos”.

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O presidente interino ucraniano, Aleksander Turchinov, acrescentou que as tropas russas bloquearem unidades militares ucranianas na Crimeia. “Se acontecer um ataque das tropas russas, isso será considerado uma agressão”, disse Turchinov. “O comando russo na tropas na Crimeia lançou um ultimato às força ucranianas para que antes das 5 horas (hora local, 0 hora de Brasília) de hoje entregassem suas armas e abandonassem suas unidades. O ultimato não foi acatado, mas ainda não houve um ataque. A situação segue tensa”, disse.

O presidente, junto ao primeiro-ministro, também anunciou à imprensa que a Ucrânia fechou seu espaço aéreo aos aviões não comerciais. “Queremos que o país viva e se desenvolva em condições normais. O que querem os agressores é paralisar a economia da Ucrânia, provocar o caos social”, disse.

(Com agência EFE e Estadão Conteúdo)