Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

ONU rejeita anistiar os que cometeram crimes de guerra e contra a humanidade na Síria

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos espera que as negociações de paz em Genebra possam “acabar com os horrorosos abusos e violações da lei internacional"

Por Da Redação - 1 fev 2016, 09h33

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al-Hussein, disse nesta segunda-feira que a ONU não deve anistiar as pessoas que tenham cometido crimes de guerra e crimes contra a humanidade no conflito sírio.

“Temos o princípio nas Nações Unidas de que nenhuma anistia deveria ser considerada para aqueles suspeitos de ter cometido crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, disse Zeid em entrevista coletiva durante as negociações de paz em Genebra sobre o conflito na Síria.

O alto comissário expressou esperança de que “após cinco anos vendo o povo sírio ser submetido a uma execução pública, as negociações possam acabar com os horrorosos abusos e violações da lei internacional”. Zeid lembrou que a entidade que dirige não tem presença na Síria e que controla o que ocorre ali através de uma rede de colaboradores de defensa dos direitos humanos e de funcionários países adjacentes.

Leia também:

Publicidade

Bombardeios russos provocaram morte de 332 menores de idade na Síria

Negociações de paz para a Síria começam em Genebra

Centenas de pessoas foram retiradas de Madaya para não morrerem de fome

Em um mês, 23 pessoas morreram de fome em cidade síria

Publicidade

Com relação ao papel da Turquia e às alegações que indicam que o país permite que militantes do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) atravessem impunemente suas fronteiras, Zeid se limitou a dizer que espera que Ancara entenda a importância deste grupo “não ter êxito”.

O alto comissário também defendeu as centenas de milhares de refugiados sírios que fugiram de seu país e puseram sua vida e a de seus parentes em perigo para buscar uma nova chance na Europa longe do horror da guerra. “Estou profundamente alterado pela retórica de rejeição a estes refugiados e pela inaceitável politização do problema. É surpreendentemente irresponsável”, sustentou.

“Estas pessoas estão sofrendo uma dupla tragédia. Sofreram suficiente por causa do fracasso do Conselho de Segurança e ainda chegam na Europa e são discriminados desta maneira”, acrescentou. Zeid se referiu especificamente à nova legislação dinamarquesa que permite confiscar todos os bens dos refugiados que cheguem a suas fronteiras para ajudar a custear sua estadia.

(Com agência EFE)

Publicidade