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ONU pressiona Nigéria para resgatar as 200 meninas sequestradas

Alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos conversou com presidente nigeriano e pediu mais ações para esclarecer o caso

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, lembrou nesta terça-feira que escravizar e abusar sexualmente de pessoas pode constituir crime contra a humanidade, em referência ao sequestro de mais de 200 meninas na Nigéria pelas mãos da milícia radical islâmica Boko Haram. “Alertamos os responsáveis pelo sequestro que a lei internacional proíbe totalmente a escravidão e a escravidão sexual. Esses atos podem constituir, em alguns casos, crimes contra a humanidade”, afirmou Navi, citada em comunicado. A comissária da ONU também ligou para o presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, para pedir agilidade na solução do caso.

O sequestro aconteceu em 14 de abril em uma escola em Chibok, no noroeste da Nigéria, e ontem sua autoria foi reivindicada pelo Boko Haram em um vídeo. Segundo a imprensa nigeriana, as garotas têm entre 13 e 18 anos de idade. Navi condenou o sequestro e pediu que as meninas sejam imediatamente devolvidas, sãs e salvas, a suas famílias. “Estamos profundamente preocupados com a fala do suposto líder do Boko Haram ontem na Nigéria, quando diz descaradamente que venderá ‘no mercado’ as meninas sequestradas, referindo-se a elas como escravas”, acrescentou a comissária.

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Uma das meninas raptadas que conseguiu escapar relatou que as reféns mais jovens sofriam até quinze estupros por dia e que ela mesma havia sido entregue como esposa a um dos líderes do grupo terrorista. A alta comissária contatou o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, e pediu que faça todos os esforços para poder encontrar as meninas, e junto a outros altos executivos das Nações Unidas lembrou às autoridades que têm a obrigação de velar por que todas as meninas do país desfrutem do direito à educação, e sejam protegidas de qualquer violência ou intimidação.

A respeito do Boko Haram, Navi definiu as ações como “monstruosas” e pediu às autoridades que protejam a população. “O fracasso das autoridades em proteger efetivamente os cidadãos constitui em si uma violação dos direitos humanos”, repreendeu a alta comissária.

Fora do país – Segundo o Departamento de Estado americano, muitas das meninas sequestradas já podem estar fora da Nigéria. “Muitas delas, provavelmente, foram levadas para fora do país, para países vizinhos”, explicou a porta-voz da diplomacia americana, Marie Harf. A porta-voz também confirmou que Washington ajuda a Nigéria em operações antiterroristas, trocando informações de inteligência, e acrescentou que Washington está preparada para ajudar a Nigéria “de qualquer forma” que Abuja considerar necessário.

O grupo paramilitar extremista Boko Haram, que significa em línguas locais “a educação não-islâmica é pecado”, luta para impor a “sharia” (a lei islâmica) na Nigéria, país de maioria muçulmana no norte e predominantemente cristã no sul. No mesmo dia do sequestro, os terroristas realizaram um atentado em um terminal de ônibus na capital Abuja onde morreram 75 pessoas e 216 ficaram feridas. Neste exato lugar foi registrada outra explosão na quinta-feira passada, com dezenove mortos e sessenta feridos.