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ONU pede que EUA não separem crianças imigrantes de seus pais

Organização lembrou que dividir as famílias representa uma grave violação aos direitos da criança

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu ao governo dos Estados Unidos que interrompa de modo imediato a polêmica prática de separar as crianças imigrantes da América Central de seus pais, que são detidas depois que as famílias atravessam a fronteira ilegalmente a partir do México.

“Estamos profundamente preocupados com o fato de que a política de tolerância zero dos Estados Unidos faça com que as pessoas presas quando entram de maneira irregular no país sejam processadas e que seus filhos – inclusive os muito jovens – sejam afastados”, afirmou a porta-voz do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, Ravina Shamdasani, em uma entrevista coletiva.

“Os Estados Unidos têm que terminar imediatamente com esta prática”, declarou Shamdasani, antes de completar que separar famílias e deter menores de idade representa uma “violação grave dos direitos da criança”. Ela recordou que os Estados Unidos continuam sendo o único país que não ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças.

A porta-voz insistiu que “as crianças nunca deveriam ser detidas por razões vinculadas a seu status migratório ou de seus pais. Pedimos às autoridades americanas que adotem alternativas que evitem privar a liberdade e que permitam às crianças permanecer com suas famílias”, completou a porta-voz.

No mês passado, o procurador-geral americano Jeff Sessions afirmou que os imigrantes que entrassem de maneira ilegal no país seriam separados de seus filhos. “Se você contrabandear estrangeiros ilegais por nossa fronteira, vamos processá-lo; se contrabandear uma criança, vamos processá-lo. E a criança será separada de você, conforme exigido pela lei”, disse.

A ameaça ocorreu uma semana após a chegada de mais de cem centro-americanos à cidade fronteiriça de Tijuana, no México, com a intenção de pedir asilo aos Estados Unidos.

Centenas de crianças foram separadas de seus pais na fronteira desde outubro, inclusive um menino de um ano, afirmou a porta-voz da ONU, citando informações divulgadas por grupos da sociedade civil americana.

(Com AFP)