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ONU discute futuro da missão de observadores na Síria

Bombardeio a cidades é mantido e milhares de civis estão encurralados

Por Da Redação - 19 jun 2012, 15h06

A ONU deve decidir nesta terça-feira o futuro de sua missão de observação na Síria, suspensa por causa da escalada da repressão no país, onde milhares de civis estão encurralados em redutos rebeldes incessantemente bombardeados pelo Exército. O número de morte é alto. Na segunda-feira, 94 pessoas, incluindo 63 civis, morreram em bombardeios e combates entre os soldados e insurgentes, de acordo com Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

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Entenda o caso

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  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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O Conselho de Segurança da ONU também pretende discutir o plano de paz do emissário internacional Kofi Annan, que não foi respeitado. O general Robert Mood, chefe da missão da ONU (Misnus), pretende apresentar um relatório sobre a decisão tomada no sábado de suspender as atividades em razão da “intensificação da violência”, que deixou mais de 3.300 mortos desde a sua mobilização em meados de abril.

O mandato de 90 dias da Misnus se estende até 20 de julho, mas muitos países ocidentais têm indicado que ele pode ser interrompido antes da hora por causa do aumento da violência. Os ocidentais consideram o presidente Bashar Assad, de quem exigem saída imediata, o único responsável por esta deterioração, enquanto a China e a Rússia, aliadas do regime sírio, acusam os rebeldes.

Bloqueio – O Conselho de Segurança volta a ser reunir depois de um apelo dos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, pelo “fim imediato” da repressão, “a fim de parar o derramamento de sangue”. As duas resoluções contra o regime já foram apresentadas ao conselho e bloqueadas por China e Rússia.

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Presentes na cúpula G20, os dois chefes de estado afirmaram estar “unidos em torno da ideia de que o povo sírio deve escolher o seu futuro de forma independente e democrática”. Putin chegou a dizer que havia encontrado “vários pontos de acordo” com Obama sobre a maneira de resolver o conflito na Síria, onde uma revolta popular é reprimida violentamente desde março de 2011, custando milhares de vidas.

Ataques – As tropas bombardeiam há vários dias localidades defendidas pelos rebeldes, incluindo Homs. A cidade de Rastan, na província de Homs, foi novamente alvo de ataques, de acordo com o OSDH e ativistas. Um civil foi morto. Falta comida para seus habitantes e a energia elétrica foi “completamente cortada”, indicaram os militantes.

Em Homs, os combates entre soldados e insurgentes recomeçaram no bairro de Baba Amr, ocupado desde março pelo Exército. “As colunas de fumaça se erguem pelo céu da região”, afirmou a ONG em referência a “explosão em um gasoduto”. O OSDH pediu que a ONU para intervenha e permita a evacuação de “mais de 1.000 famílias de Homs, que estão impedidas de sair de suas casas pelos bombardeios e operações militares, e que vivem em condições humanas terríveis”. As autoridades de Damasco, por sua vez, afirmaram que tentaram, sem êxito, retirar os civis “sitiados por grupos terroristas”.

Bombardeio – Na província de Damasco, o Exército continua a bombardear Douma, onde cinco civis morreram, entre eles uma criança, informou o OSDH. A cidade de Tafas, na província de Deraa (sul), berço da revolta, foi cercada pelas forças de segurança, após um violento bombardeio, segundo o Exército Sírio Livre (ESL), cujos membros resistem aos ataques.

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Intensos combates também ocorreram na região de Idleb (noroeste), relatou a ONG. Em Deir Ezzor (leste), os militares invadiram um bairro, matando três civis. Na mesma província, um oleoduto foi alvo de uma bomba, disse a mesma fonte. A agência de notícias oficial Sana acusa “grupos terroristas” de terem colocado uma carga explosiva no oleoduto, indicando que o “bombeamento foi interrompido e será retomado nos próximos dias, após os reparos”.

(Com agência France-Presse)

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