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ONU defende novo modelo de crescimento e UE pede confiança no euro

David Valenzuela.

Nações Unidas, 17 mai (EFE).- A ONU lançou nesta quinta-feira um apelo à comunidade internacional para criar de maneira global e coordenada ‘um novo modelo de crescimento’ como resposta à crise econômica, enquanto o presidente da Comissão Europeia – órgão executivo da União Europeia (UE), José Manuel Durão Barroso, disse que o bloco fará o necessário para salvar o euro.

‘O antigo modelo falhou. Precisamos criar um novo modelo de crescimento dinâmico’, declarou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante a abertura de um debate de alto nível sobre a economia mundial, evento que congrega durante dois dias destacados economistas e vários ministros e chefes de Estado e de governo.

A mensagem da autoridade máxima da ONU foi clara. ‘É necessário um novo paradigma de crescimento, de um crescimento que seja equitativo e sustentável e que beneficie as gerações atuais e futuras’, destacou Ban no plenário da Assembleia Geral.

Ele pediu ao mundo ‘uma revolução’ e a execução conjunta de um modelo que aposte em ‘economias estáveis’, mas sobretudo em ‘oportunidades para todos’ e que tenham forma de ‘empregos decentes’.

‘Chegou o momento de reconhecer que o capital humano é tão importante como o financeiro. Chegou a hora de investir nas pessoas’, disse o secretário-geral, que lamentou a perda de 200 milhões de postos de trabalho no mundo todo desde o início da crise.

Ao mencionar esse número, Ban chamou a atenção dos políticos de todo o mundo para a necessidade de se aplicar medidas para criar empregos, já que, se fracassam, ‘colocarão em perigo a coesão social e criarão instabilidade política’.

Ban foi além e lembrou aos presentes sobre a insatisfação popular internacional de pessoas que ‘foram às ruas para protestar’ seja no marco da Primavera Árabe seja no movimento Occupy Wall Street. Ao mencioná-lo, o secretário-geral pressionou por respostas a todos.

O apelo de Ban foi respaldado pelo presidente da Assembleia Geral, Abdulaziz al-Nasser, que convidou a comunidade internacional a aproveitar o debate na ONU para tentar fixar ‘uma resposta coordenada’ ao que chamou de ‘crise global’.

O assunto também foi abordado nas palavras do presidente da Comissão Europeia. Barroso aproveitou o fórum das Nações Unidas para defender a vigência do euro como moeda comum e lançar ‘uma mensagem de confiança’ ao dizer que a UE fará ‘tudo o que for necessário’ para superar a crise que afeta a zona do euro.

‘O euro é muito mais que uma mera estrutura monetária, é o produto de um projeto de paz e reconciliação que levou à integração europeia’, acrescentou o político português, que defendeu as medidas que o conjunto da UE realiza e expressou confiança de que, ‘apesar das dificuldades’, a Europa seguindo ‘o bom caminho’.

Barroso reconheceu que a Comissão teria preferido uma resposta mais rápida e em algumas ocasiões mais audaz à crise. Sobre o debate entre austeridade e crescimento, priorizou a cautela: ‘para recuperar o crescimento e restaurar a confiança, necessitamos consolidação fiscal, reformas estruturais e investimentos específicos’.

Durante o primeiro dia de debates, destacaram-se também as vozes do ex-presidente do Federal Reserve (Fed) Paul Volcker e do prêmio Nobel Joseph Stiglitz, que defenderam ‘uma resposta global’ aos desafios que o mundo enfrenta em matéria econômica.

‘Uma crise global precisa de uma ação coletiva global para restaurar a confiança, impulsionar o crescimento econômico e criar empregos produtivos para todos’, enfatizou Stiglitz, que, em vez de falar do papel do G20, preferiu reforçar o potencial do que chamou de ‘G-192’, com todos os países da ONU trabalhando ao uníssono.

Volcker – conhecido entre outras coisas por promover a lei que leva seu nome e que em 2008 proibiu os bancos americanos a fazerem investimentos especulativos em benefício próprio, e não no de seus clientes – defendeu uma ação comum dos mercados até na regulação das entidades financeiras.

‘Se não ficarmos juntos, cairemos separadamente’, alertou Volcker, que defendeu a aplicação de ‘uma disciplina comum’, a manutenção dos mercados abertos, em questões de comércio e também de bens financeiros e intangíveis, e o fortalecimento da regulação internacional, ‘especialmente no mundo das finanças’.

Também participou do encontro o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, que destacou a América Latina como exemplo de crescimento em tempos de crise, assim como o vice-primeiro-ministro turco, Ali Babacan, e o presidente da Albânia, Bamir Topi, entre outros líderes. EFE