Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

ONU autoriza envio de 300 observadores à Síria

Por Don Emmert 21 abr 2012, 15h04

O Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou neste sábado por unanimidade uma resolução autorizando o envio de 300 observadores à Síria para supervisionar um cessar-fogo já seriamente comprometido pela morte de mais de 200 pessoas desde a sua instauração há 10 dias.

Enquanto isso, os observadores já no local foram a Homs (centro), cidade símbolo que foi alvo nos últimos dias de violentos bombardeios.

Os 300 observadores militares desarmados devem ser mobilizados “rapidamente” e “por um período inicial de 90 dias”, mas será necessário que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, determine se “a consolidação” do cessar-fogo permite essa mobilização. Os Estados Unidos já ameaçaram não prolongar esta missão para além de três meses.

“Se a suspensão da violência não for respeitada (…) e se não houver progresso rápido em os outros aspectos” do plano de paz do emissário internacional Kofi Annan, “então seremos levados a concluir que esta missão não é mais útil”, declarou a embaixadora americana na ONU, Susan Rice.

A missão de observadores será de alto risco, no momento em que novos episódios de violência deixaram neste sábado 11 mortos em todo o país. É a primeira vez que capacetes azuis são enviados para uma zona de conflito desarmados e sem um acordo formal de cessar-fogo.

A Rússia, grande aliada de Damasco que bloqueou duas resoluções condenando a repressão antes de adotar os dois projetos prevendo o envio de observadores, pediu ao governo e à oposição o fim da violência e cooperação para que o plano do emissário internacional Kofi Annan seja respeitado.

O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão da oposição comemorou neste sábado o voto do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que atende às “demandas do povo sírio”.

“Sem dúvida alguma, o envio de mais observadores é uma demanda do povo sírio e dos revolucionários que se manifestam todos os dias”, declarou à AFP George Sabra, porta-voz do CNS.

“Mas não acredito que 300 observadores serão suficientes para um país como a Síria, onde a revolução atinge todas as cidades e todos os povoados”, acrescentou, pedindo que essa missão seja ampliada novamente para se tornar “mais eficaz”.

O regime e a oposição se acusam mutuamente de violar a trégua instaurada no dia 12 de abril em conformidade com o plano Annan.

Continua após a publicidade

Enquanto isso, os observadores que já estão na Síria foram a Homs, terceira maior cidade do país, chamada de a “capital da revolução” pelos militantes.

Eles visitaram principalmente o bairro de Baba Amr, retomado pelo Exército no dia 1º de março ao fim de um mês de violência incessante e mortal, e se reuniram, segundo a agência oficial Sana, com o governador da província, e com moradores e desertores do Exército Sírio Livre (ESL), segundo vídeos de militantes.

Desde a instauração da trégua, o Exército bombardeia quase que diariamente bairros de Homs que ainda escapam ao seu controle, matando na sexta-feira seis civis, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que indicou uma pausa na violência durante a noite.

Depois de ter hesitado, Damasco assinou o protocolo organizando o trabalho, e estabelecendo, em particular, a liberdade de movimento dos primeiros observadores, mas a equipe de Annan “não se iludiu” a respeito de uma melhoria da situação, afirmou um diplomata ocidental antes da votação no Conselho de Segurança.

Está claro, segundo esse diplomata, “que enviar os observadores é manter a porta aberta” e atuar como um “elemento de moderação para o comportamento do regime” acusado pelos ocidentais de não cumprir seus compromissos desde o início da crise.

Na sexta-feira, milhares de sírios saíram às ruas para acompanhar a equipe de observadores já no terreno. “Onde estão os observadores”? “Onde estão as resoluções vinculantes do Conselho de Segurança”?, perguntavam os manifestantes em cartazes.

Neste sábado, nove desertores morreram em uma emboscada armada pelas forças do governo sírio na província de Aleppo (norte) e dois civis foram mortos em Deraa (sul) e em Qousseir (centro), segundo o OSDH.

Em Damasco, no bairro de Mazzé, uma “forte explosão” foi ouvida em uma base militar, disseram os militantes sem indicar sua origem.

Na véspera, a violência custou a vida de 46 pessoas -29 civis e 17 soldados-, segundo o OSDH.

No total, ela deixou pelo menos 11.100 mortos em 13 meses e dezenas de milhares de pessoas foram presas, segundo a ONG. As autoridades afirmam ter libertado 4.000 presos desde novembro.

Continua após a publicidade
Publicidade