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ONU aponta fuga de milhares de pessoas em região tomada pelo EI

Cerca de 180.000 pessoas deixaram área na província de Anbar. Turquia nega acordo com os Estados Unidos para uso de base militar

As Nações Unidas afirmam nesta segunda-feira que cerca de 180.000 pessoas fugiram dos arredores de Hit, na província iraquiana de Anbar, desde que militantes do Estado Islâmico (EI) assumiram o controle da cidade no início deste mês. A maioria dos civis se deslocou para a vizinha Ramadi. A ONU alertou para a necessidade de comida, abrigo e suprimentos médicos para atender essa população.

Com a queda de Hit no dia 2 de outubro, o Estado Islâmico tenta isolar as forças pró-governo que defendem a represa Haditha, onde é controlado o fluxo do rio Eufrates para o sul do Iraque. Especialistas afirmam que a queda completa da província de Anbar pode permitir que o EI realize ataques contra a capital Bagdá.

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Os combates prosseguem nessa região. Nesta segunda-feira, jihadistas invadiram uma base militar abandonada pelo Exército iraquiano cerca de oito quilômetros a oeste de Hit. O grupo roubou três veículos blindados e ao menos cinco tanques, ateando fogo ao local em seguida, segundo uma autoridade local.

Turquia – Enquanto a situação na Síria e no Iraque continua a se deteriorar, a Turquia, que possui um dos maiores exércitos da região, resiste a intervir no conflito para conter os jihadistas, que estão cada vez mais perto de seu território.

Nesta segunda, o presidente Recep Tayyip Erdogan defendeu a posição de seu país, evocando velhos fantasmas da I Guerra Mundial e apelando para a desconfiança sobre as intenções do Ocidente na região. Ele criticou o que chamou de “novos Lawrences da Arábia”, pessoas que, em sua opinião, podem minar a influência da Turquia.

“Há cem anos, alguns se ergueram contra o Império Otomano (…) Hoje seguem existindo. Lawrence era um espião inglês disfarçado de árabe”, disse Erdogan em um discurso transmitido pela televisão.

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Thomas Edward Lawrence, conhecido como Lawrence da Arábia (1888-1935), foi um oficial britânico que desempenhou um papel importante no desencadeamento em 1916 da revolta árabe contra o Império Otomano, que acabou contribuindo para a derrota do país na I Guerra Mundial. Nos anos 60 sua vida serviu de inspiração para um filme de sucesso com o ator Peter O’Toole.

Segundo Erdogan, atualmente “há novos Lawrence voluntários, disfarçados de jornalistas, religiosos, escritores ou terroristas. É nosso dever explicar ao mundo que há Lawrences modernos enganados por organizações terroristas”, disse o presidente turco.

A Turquia vem impondo uma série de condições para se unir à coalizão liderada pelos Estados Unidos que está realizando bombardeios aéreos no Iraque e na Síria para frear o avanço do Estado Islâmico, entre as quais se encontram a criação de uma zona neutra no norte da Síria e a entrega de armas aos grupos sírios de oposição ao regime de Bashar Assad tidos como moderados.

O país vem também dificultando o uso das suas bases para a realização dos ataques. No domingo, uma fonte americana do Departamento de Defesa afirmou, na condição de anonimato, que o governo de Ancara havia autorizado o Exército americano a utilizar suas bases. Nesta segunda-feira, no entanto, o governo turco negou um acordo para uso das bases.

“Não há nenhum novo acordo com os Estados Unidos sobre Incirlik”, disse uma fonte, em referência a uma base aérea do sul do país. “As negociações continuam baseadas nas condições que a Turquia havia estabelecido para o acordo, isto é, a criação de uma zona tampão e de exclusão aérea na Síria. Não houve mudanças em nossa postura”.

(Com agência France-Presse)