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ONU ameaça a junta militar na Guiné-Bissau

Por Seyllou 21 abr 2012, 14h18

O Conselho de Segurança da ONU ameaçou neste sábado aprovar sanções contra a junta que tomou o poder na Guiné-Bissau, se não for restabelecido rapidamente o poder civil.

Numa declaração, o Conselho “condenou com veemência o golpe de Estado” de 12 de abril, pedindo a libertação “imediata e incondicional” dos dirigentes detidos por militares, entre eles o presidente interino Raimundo Pereira e o primeiro-ministro Carlos Gomes Junior, assim como o retorno da ordem constitucional, através de um governo legítimo”.

O organismo rejeitou a criação por parte da junta de um conselho nacional de transição, “felicitando-se” com a decisão da União Africana de suspender a Guiné-Bissau de seus quadros.

O Conselho apoia os esforços da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), da União Africana e da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) para pressionar a junta, indica a nota.

Os 15 países membros do Conselho também se declararam “preparados para tomar outras medidas eventuais, entre elas impor sanções contra os autores do golpe militar e seus partidários, se a crise não for solucionada”, acrescentou o comunicado, lido pela presidente em exercício do Conselho, a embaixadora americana Susan Rice.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deverá enviar um relatório ao Conselho de Segurança até o dia 30 de abril sobre a evolução da situação na Guiné-Bissau.

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Na quinta-feira, os países de língua portuguesa, com a liderança de Portugal e Angola, defenderam, no Conselho, o envio de uma força pela ONU para “restabelecer a ordem constitucional” no país.

Uma eventual “força de manutenção da paz” ou “missão de estabilização” poderá ser integrada por contingentes da África Ocidental e de países lusófonos, principalmente soldados angolanos, já presentes na Guiné-Bissau, como parte de um acordo bilateral de cooperação, e ainda tropas de Cabo Verde.

Pouco depois, a junta que tomou o poder no país reagiu à advertência da ONU, anunciando que o acordo de transição divulgado na véspera era apenas uma “proposta”, dizendo-se, ao mesmo tempo, “profundamente comprometida com a busca de uma solução para a crise”.

“Não era um anúncio oficial”, garantiu o porta-voz da junta, o tenente-coronel Daba Da Walna, ouvido por telefone pela AFP.

O golpe de Estado foi executado entre dois turnos das eleições presidenciais, nas quais era considerado favorito o ex-chefe do governo, em mãos dos militares.

Enquanto isto, foi cancelada a reunião de cúpula sobre a crise na Guiné-Bissau, prevista para segunda-feira, em Conacri, capital da Guiné, na presença de vários chefes de Estado da África Ocidental. A suspensão foi confirmada depois de a junta militar anunciar a “grave decisão” de instaurar uma transição de dois anos no país.

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