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ONU ajuda na transferência de 270 venezuelanos para seis cidades

A partir de setembro, cerca de 400 imigrantes devem se mudar de Roraima para outros Estados brasileiros a cada semana

Por Da Redação 27 ago 2018, 21h53

Seis cidades brasileiras receberão nesta semana 270 venezuelanos que concordaram em deixar o estado de Roraima e aderir voluntariamente ao processo de interiorização. Os embarques se dará nos próximos dois dias, informou a representação da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil.

Todos sairão de Boa Vista, em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Nesta terça-feira (28), 63 pessoas irão para Manaus (AM), 71 para João Pessoa (PB) e 55 para São Paulo (SP). Na quinta-feira (30), outros 60 venezuelanos seguirão para Goioerê (PR), 25 para o Rio de Janeiro (RJ) e quatro para Brasília (DF).

Entre os venezuelanos transferidos há solicitantes de refúgio e de residência no Brasil. Eles foram selecionados para o programa, tomaram vacinas e foram submetidos a exame de saúde. A condição deles no Brasil é totalmente regular, segundo a ONU. Todos têm número de CPF e Carteira de Trabalho.

A interiorização tem o apoio da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), da Organização Internacional para as Migrações (OIM), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Trata-se de uma iniciativa para reduzir a concentração de venezuelanos de Roraima e, com isso, diminuir a animosidade local à recepção de novos imigrantes. No último dia 11, um acampamento foi queimado por brasileiros em Pacaraima, na divisa entre os dois países, e muitos venezuelanos tiveram de fugir em direção à fronteira. Há temor do acirramento da violência.

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  • Em nota, a ONU ressaltou que a interiorização é uma “iniciativa criada para ajudar venezuelanos em situação de extrema vulnerabilidade a encontrar melhores condições de vida em outros Estados brasileiros”. O texto não menciona os episódios de violência sofridos por venezuelanos em Roraima.

    A seleção dos venezuelanos aptos a ingressar no programa cabe à Acnur, que identifica os interessados, assegura que estejam devidamente documentados e financia melhorias de infraestrutura e custos operacionais nos locais de acolhida.

    A OIM atua na orientação e informação prévia ao embarque. O UNFPA promove diálogos com as mulheres e população LGBTI para que se sintam fortalecidas neste processo. Já o PNUD trabalha na conscientização do setor privado para a absorção da mão de obra venezuelana.

    Com esta etapa, sobe para mais de 1.000 o número de venezuelanos transferidos para outros estados.  Em setembro, cerca de 400 pessoas devem ser transportadas a cada semana.

    Segundo a ONU, a interiorização depende de interesse das cidades de destino e da existência de vagas em abrigos. Reuniões prévias com autoridades locais e coordenação dos abrigos definem detalhes sobre atendimento de saúde, matrícula de crianças em escolas, ensino da Língua Portuguesa e cursos profissionalizantes.

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