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ONG lança continuação de ‘Kony 2012’

No novo vídeo, a organização Invisible Children rebate as críticas levantadas na imprensa sobre sua credibilidade e transparência

A ONG Invisible Children (Crianças Invisíveis, em inglês) divulgou nesta quinta-feira uma continuação do vídeo ‘Kony 2012‘, o maior viral da história da internet. A nova edição busca rebater as críticas da imprensa aos argumentos utilizados na campanha da organização contra o Exército de Resistência do Senhor (LRA, sigla em inglês), em Uganda

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As primeiras imagens reúnem a repercussão do vídeo em canais da televisão americana. Exibe trechos de jornalistas classificando o primeiro filme de ingênuo por ter simplificado o conflito ugandense. Em seguida, Ben Keesey, o diretor executivo da ONG, aparece para explicar a criação da campanha, o seu progresso, e os esforços atuais para derrubar o LRA.

A sequência de Kony 2012 denuncia que o LRA abduziu 57 pessoas de março, quando o primeiro vídeo foi divulgado, até abril. Para justificar seus pontos de vistas, a ONG lança mão de elogios de políticos africanos ao enfoque da ONG. Eles afirmam que, justamente pela complexidade do conflito, é necessário atuar em múltiplas frentes para encontrar Kony, que estaria escondido na República Democrática do Congo (RDC) ou na República Centro-Africana.

O novo vídeo, gravado e editado em duas semanas, pede que as pessoas colem cartazes da campanha em cidades de todo o mundo no dia 20 de abril e incentiva seus seguidores a ser criativos na promoção da iniciativa. “Esta é a verdadeira forma de conscientizar as pessoas, que agora estão prestando atenção”, diz o ex-candidato presidencial ugandense Norbert Mao.

ONG – Em entrevista à rede CNN nesta quinta-feira, o presidente da instituição, Ben Keesey, disse que a organização sempre foi transparente em relação às suas finanças, informando que os dados estão detalhados em seu site. Keesey reconheceu que a ONG não esperava um sucesso tão grande da campanha e revelou que a expectativa inicial era chegar a 500.000 visualizações – as cenas tiveram mais de 100 milhões de acessos . “Nós fizemos o primeiro vídeo para uma audiência jovem do Ocidente, e, portanto, a prioridade era fisgar a atenção”, afirmou.

‘Kony 2012’ é uma denúncia ao uso de crianças como soldados pelo Exército de Resistência do Senhor (LRA, sigla em inglês), em Uganda. Seu objetivo é sensibilizar a população mundial para ajudar a capturar Kony e levá-lo ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda, onde o guerrilheiro é acusado de crimes contra a humanidade desde 2005.

Assista ao vídeo Kony 2012 – Parte II

Campanha – Joseph Kony era uma figura pouco conhecida mundialmente até que um vídeo de 29 minutos no YouTube mobilizou mais milhões de pessoas. A ONG logo recebeu o apoio declarado de famosos como Oprah Winfrey, Rihanna, P. Diddy e Justin Bieber. Talvez eles não soubessem que Kony fugiu de Uganda há seis anos e o LRA está enfraquecido, na ativa apenas em áreas remotas do Congo, Sudão do Sul e República Centro-Africana. O nome “Kony” ficou entre os assuntos mais citados no Twitter, e a ONU chegou a elogiar o impacto da campanha Kony 2012.

Ironicamente, o cofundador da entidade, Jason Russell, foi detido pela polícia de San Diego, depois de sofrer um surto. Russell foi filmado andando nu e, de acordo com testemunhas, se masturbou em público. Embora não haja dúvida quanto ao perfil de Kony – uma figura grotesca e sanguinária – o vídeo divulgado freneticamente também foi recebido com críticas, e a transparência da Invisible Children foi questionada. Alguns alegam que a ONG gasta a maior parte de seu dinheiro com salários e viagens – embora opere um centro de acolhimento no norte de Uganda para receber crianças e adolescentes que escaparam das fileiras da LRA.

A entidade também já foi descrita como um grupo de pressão, cujo objetivo não seria apenas divulgar uma causa, mas levar o governo americano a se envolver de maneira direta (ou seja, militarmente) na captura de Kony. Ignorando as atrocidades do governo de Uganda ou do Exército Popular de Libertação do Sudão, a Invisible Children seria uma entre várias instituições que procuram convencer os EUA a escolher um lado no conflito entre o LRA e o regime. A Invisible Children também foi criticada por ter comercializado um ‘kit de ação’ contra Kony. Todas as unidades foram esgotadas e a ONG reconheceu que apenas um terço do lucro foi destinado a projetos em Uganda.

O vídeo ainda faz uso de táticas de mobilização espúrias, como mostrar Kony ao lado de Hitler – figura com a qual ele certamente não se equipara, num hipotético “índice da maldade”. As próprias vítimas de Kony ficaram furiosas com a campanha.

(Com agência EFE)