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ONG denuncia aumento de desaparecimento de ativistas na China

Por Da Redação 10 nov 2011, 10h44

Pequim, 10 nov (EFE).- A ONG Human Rights Watch (HRW) denunciou nesta quinta-feira o aumento de dissidentes desaparecidos no último ano, período em que centenas de ativistas e intelectuais foram detidos, perseguidos e torturados pelo regime chinês para evitar uma nova ‘Primavera Árabe’.

Os desaparecimentos, as detenções sem ordem judicial em locais não revelados, feitos pelas agências de segurança do Governo chinês, aumentaram como o objetivo de silenciar as supostas posturas dissidentes, revelaram membros da HRW em entrevista coletiva em Hong Kong.

Em vez de proibir a prática, o Governo está tentando legalizá-la por meio de uma revisão da Lei de Delitos Penais, o que viola o direito internacional, afirmou a diretora da HRW para a China, Sophie Richardson.

‘O Governo da China ignorou e aprovou a prática das agências de segurança de recorrer aos desaparecimentos forçados e às ‘prisões negras’ (ilegais)’, assinalou Sophie.

Pelo direito internacional, um Estado que comete desaparecimentos forçados quando seus agentes representam sob custódia uma pessoa e não revelam seu paradeiro a familiares nem advogados, deixando a vítima exposta a riscos, como a tortura.

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Desde novembro de 2009, essa ONG registrou milhares de desaparecimentos forçados de agricultores que relatam abusos de autoridades, os quais são confinados em ‘prisões negras’, onde sofrem abusos físicos e psicológicos, além de extorsões.

As prisões ilegais continuam acontecendo tanto em Pequim quanto em outras grandes cidades da China. Entre os milhares de vítimas de detenções ilegais, estão não só os críticos ao regime chinês, mas também membros de minorias étnicas, como a tibetana e a uigur, na região ocidental de Xinjiang.

Nestas regiões, foram registrados conflitos étnicos desde 2008 devido às políticas repressivas de Pequim, de acordo com denúncias destes grupos. E o Governo chinês não permite que as agências das Nações Unidas investiguem a situação dessas minorias.

As próprias detenções e prisões ilegais foram usadas contra centenas de ativistas, blogueiros, intelectuais e advogados desde o início deste ano, entre eles o artista Ai Weiwei, cuja detenção de 81 dias foi condenada pela comunidade internacional, o que facilitou sua libertação.

A HRW explicou que muitos desses ativistas continuam desaparecidos. Alguns deles denunciaram torturas, como o caso do advogado Liu Shihui, obrigado a assinar uma confissão falsa após receber ameaça e ser torturado. EFE

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