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ONG afirma que 70 mil pessoas foram desalojadas na Etiópia

Adís Abeba, 17 jan (EFE).- O Governo da Etiópia obrigou 70 mil indígenas da região de Gambella, no oeste do país, a deixarem suas terras para destiná-las a cultivos comerciais, e os transferiram para assentamentos carentes de água, acesso a alimentos e saúde, denunciou nesta terça-feira a organização Human Rights Watch (HRW).

Em comunicado divulgado em seu site, a ONG alerta para a precária situação de milhares de pessoas desde que, há um ano, o Executivo etíope iniciou sua política de assentamentos na região.

Segundo o relatório, as autoridades forçam os habitantes a deixarem suas casas, com a perda de seu meio de sobrevivência e seu acesso a alimentos, vítimas, frequentemente, dos abusos das forças de segurança etíopes.

De 2008 a janeiro de 2011, segundo a HRW, a Etiópia arrendou pelo menos 3,6 milhões de hectares, e outros 2,1 milhões estão disponíveis através do Banco Federal de Investimento em Agricultura.

A Human Rights Watch sustenta que 42% das terras de Gambella, muitas delas ocupadas, foram postas no mercado para sua exploração comercial, segundo os próprios números do Governo.

Os expulsos, pertencentes em sua maioria às etnias Anuak e Nuer, são transferidos a novos assentamentos que carecem das necessidades básicas, informou a HRW.

‘O programa de reassentamento coletivo não está melhorando o acesso aos serviços para os povos indígenas de Gambella, mas pelo contrário está pondo em perigo seu meio de subsistência e a segurança alimentar’, disse no comunicado Jan Egeland, diretor para a Europa da Human Rights Watch.

‘O Governo deve suspender o programa até que se possa garantir que as infraestruturas necessárias estão disponíveis e que as pessoas foram devidamente consultadas e compensadas pela perda de suas terras’, acrescentou.

O Governo etíope planeja situar 1,5 milhão de pessoas para o ano 2013 em quatro regiões do país: Gambella, Afar, Somali e Benishangul Gumuz, de acordo com a ONG.

Desde o início do plano de povoamento em Gambella, em 2010, o Governo etíope programou aproximadamente a mudança de 70 mil pessoas na região para o final de 2011.

O plano se compromete a proporcionar as infraestruturas para as novas aldeias e a assistência necessária para assegurar meios de vida alternativos aos refugiados. EFE