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Onda de divórcios na China é o novo problema social para ‘geração Y’

Ele reflete a instabilidade criada pelo crescimento econômico e a modernização

Por Da Redação - 2 mar 2011, 11h48

O grande aumento do número de divórcios na China, especialmente entre a “geração Y” – aqueles nascidos após 1980 – é um problema que preocupa cada vez mais os especialistas chineses. Segundo eles, a realidade reflete a instabilidade social que o crescimento econômico e a modernização criaram.

Em 2010, de acordo com dados oficiais, um em cada cinco casamentos na China terminou em divórcio, número que representa o dobro do registrado há 10 anos. “Os pais consentiram muito com à geração Y. Os jovens se acostumaram a ter tudo e, depois, quando se casam, não se toleram”, explica Duan, advogado e especialista em assuntos conjugais de Pequim.

Os chamados “casamentos relâmpago” marcam uma geração de filhos únicos “envaidecidos”, que em 2010 contribuíram para elevar os divorciados a 1,96 milhão de pessoas. O número supera o dos que se casaram no país no mesmo ano, que foi de apenas 1,20 milhão de pessoas, segundo Duan.

Mentalidade – Além do impacto que os membros da geração Y causaram na taxa de divórcio, é preciso acrescentar a mudança de mentalidade da sociedade chinesa. A China, que já foi uma sociedade patriarcal, na era moderna abriu caminho à emancipação da mulher e à aceitação do divórcio dentro do esquema social – retomando algo que já havia ocorrido durante a dinastia Tang (618-907).

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Na época, a mulher era tratada com igualdade e a separação era vista como normal, como é possível observar em contratos de fim de casamento documentados. Atualmente, também não é motivo de vergonha para uma mulher pedir o divórcio e voltar a se casar.

Infertilidade – Outro problema que causa o fim dos casamentos é o aumento da infertilidade nas mulheres e os problemas sexuais que surgem entre os casais”, menciona Ma Xiaonian, especialista em Sexologia. Segundo Ma, a falta de maturidade e a desinformação sobre o tema faz com que, em muitos casos, haja confusão entre problemas sexuais e emocionais, que podem levar ao divórcio.

Para o especialista, a mentalidade chinesa em relação ao sexo já não é tão tradicional, mas ainda carece de uma formação educacional que poderia evitar muitos casos de separação no gigante asiático.

Facilidades burocráticas – O aumento do número de divorciados é ainda marcado pelas facilidades burocráticas que o governo chinês introduziu em 2003, que permitem que os casais se divorciem em um dia de trâmites. Nesse ano, a taxa de divórcio cresceu 5,1% em comparação ao ano anterior, e o número de casais divorciados chegou a 1,33 milhão, 154.000 a mais do que em 2002.

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“Hoje os cidadãos contam com duas vias de divórcio: o registro civil, se ambas as partes estão de acordo, e os julgamentos, em caso de que alguma das partes não queira terminar o casamento ou quando surge alguma outra desavença”, explica Duan.

As novas regulações acabaram com situações absurdas, como inventar a morte de um dos membros do casal para simplificar os trâmites e evitar que longos processos causem a “humilhação social” dos divorciados diante de suas famílias e amigos, na época em que estas separações eram mal vistas.

Implicações – Após a implantação das novas regras, as pessoas passaram a se mostrar mais dispostas a ir ao departamento de assuntos civis e encerrar em bons termos seus casamentos. No entanto, as facilidades multiplicaram os casos de divórcio de “casamentos relâmpago” e as histórias de chineses que se casam em um dia, se divorciam no outro e voltam a se casar no terceiro.

Por outro lado, comenta Duan, muitas mulheres “se tornaram mais independentes e não estão interessadas em se casar”, quando há apenas alguns anos o casamento era o máximo objetivo de muitas delas. Essa é uma prova das enormes transformações que o desenvolvimento econômico está causando na sociedade chinesa.

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(Com agência EFE)

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