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Onda de contestação social cresce em Israel

Por Por Jean luc RENAUDIE 6 ago 2011, 20h07

A contestação social em Israel se intensificou neste sábado, com a participação de mais de 300.000 manifestantes pedindo “justiça social” em Tel Aviv e em outras cidades.

Esta mobilização, a mais importante da história do país para assuntos sociais, começou há três semanas e continua crescendo cada vez mais.

“Missão cumprida. Somos bem mais numerosos do que na semana passada”, declarou à AFP Rachel Atar, engenheira de 45 anos.

“Finalmente, a classe média está se dando conta de sua força”, disse Edith Cohen, assistente social de 65 anos.

Os organizadores do movimento ficaram satisfeitos pelo fato de o número de manifestantes ter ultrapassado de longe a “massa crítica” dos 200.000 que eles esperavam alcançar para convencer o governo de direita a ceder as suas reivindicações.

O porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld, avaliou em “mais de 200.000 o número de manifestantes em Tel Aviv e em 30.000 em Jerusalém”, enquanto protestos menores foram observados em outras cidades.

De acordo com a rádio militar, mais de 300.000 manifestantes protestaram no país.

Há uma semana, os protestos tinham levado mais de 100.000 pessoas às ruas em Tel Aviv e em outras cidades.

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Exibindo bandeiras de Israel e algumas bandeiras vermelhas, os manifestantes de Tel Aviv bradavam “o povo exige justiça social”, “o povo contra o governo” ou “queremos um Estado do bem-estar social agora”.

Em um ambiente festivo, eles também exibiram cartazes pedindo “solidariedade” e uma grande faixa com a menção “O Egito é aqui”, em referência à Primavera Árabe e ao movimento de contestação que derrubou o presidente egípcio Hosni Moubarak.

Os manifestantes pediram diversas medidas, entre elas a construção de casas de aluguel a preços mais baixos, o aumento do salário mínimo e escola gratuita para todas as faixas etárias.

No final do protesto, representantes de diversos grupos da sociedade israelense se reuniram na frente do Ministério da Defesa pediram para a continuidade da luta.

Um dirigente da associação nacional dos estudantes, Izik Shmuli, denunciou “um aumento da desigualdade social”. Já o rabino Benny Lau, importante nome do sionismo, declarou que Israel “não merece ser considerado como um Estado judeu enquanto não seguir as regras de justiça social” da Bíblia.

Em Jerusalém, os manifestantes se reuniram no centro da cidade e depois foram para a frente da casa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O movimento de protesto israelense, iniciado em meados de julho contra o aumento dos preços imobiliários, mobiliza principalmente as classes médias. Ele é apoiado pela imprensa, por vários artistas e pela oposição, embora rejeite qualquer participação de partidos.

Reunindo cerca de quarenta organizações sociais, ele denuncia a política de privatizações realizada pelos governos que se sucederam em Israel em várias décadas e a degradação dos serviços públicos.

Netanyahu nomeou uma comissão para iniciar negociações com os dirigentes do movimento de contestação, mas considera que algumas exigências do movimento são populistas.

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