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Onda de calor recorde na Europa seca o rio Danúbio e causa crise energética na região

Na Hungria, falta de água para resfriar reatores levou ao fechamento da principal usina nuclear do país pela primeira vez desde sua construção, há 44 anos

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 ago 2026, 17h10 | Atualizado em 3 ago 2026, 11h07
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O primeiro-ministro da Hungria, Peter Magyar, anunciou que o país vai manter fechada nos próximos dias a sua única usina nuclear e principal geradora do país pela primeira vez desde a sua construção, em 1982. Trata-se da planta de Paks, que fica a 120 quilômetros da capital Budapeste e é a responsável por gerar 40% da eletricidade consumida no país, de acordo com informações do portal de notícias alemão DW.

A razão para o fechamento é climática: com o verão mais quente e seco já registrado na história da Europa, o rio Danúbio secou ao seu menor nível também já registrado. Com são as águas do rio que são usadas para resfriar o reator de Paks, o funcionamento da usina ficou inviabilizado. “A rede de energia, nossos serviços públicos e nós mesmos vamos passar por muita pressão”, disse Magyar em uma publicação em suas redes sociais na noite do sábado. De acordo com ele, ainda não há perspectiva de melhora na situação, dado que a previsão do tempo é de que os próximos dias sejam ainda mais quentes, e a usina “pode ficar inativa por semanas”.

Usina hidrelétrica com grandes edifícios industriais cinzas e chaminés vermelhas e brancas ao fundo, com um rio verde-azulado em primeiro plano e margens de terra seca e grama amarelada. Um guindaste amarelo e torres de transmissão de energia completam a paisagem industrial sob um céu azul claro
Usina nuclear de Paks, na Hungria, em 31/07/2026: com calor recorde e rio Danúbio no menor nível da história, planta não tem água para resfriar os reatores e será desligada (Janos Kummer/Getty Images)

O Danúbio e a Hungria são só alguns das várias vítimas do calor extremo que, aliado a um período prolongado sem chuvas, desde maio está atingindo a Europa nesta temporada de verão do hemisfério norte. França, Espanha e Grécia são alguns dos países que, na última semana, têm enfrentado incêndios florestais que se espalharam por conta do calor. Na Grécia, dois bombeiros morreram neste domingo, 2, após a colisão entre dois helicópteros que trabalhavam para apagar as chamas dos incêndios.

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Também banhada pelo Danúbio, a Sérvia é outro país que está com a geração de suas hidrelétricas reduzida e enfrenta restrições de energia nas cidades e na economia.

Junho mais quente da história

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Junho deste ano foi o mês mais quente por que a Europa Ocidental já passou, de acordo com os monitoramentos feito pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, o observatório climático da União Europeia. A temperatura média da região no mês foi de 20,74 graus centígrados, batendo o recorde anterior, que tinha sido registrado em junho do ano passado. São três graus acima da média de 1991 a 2020 para o mês, que é de 17,69 graus.

Alemanha, Hungria e Áustria foram alguns dos países onde os termômetros passaram dos 40 graus e, em todos os casos, bateram registros inéditos, de acordo com os números acompanhados pela Organização Meteorológica Mundial, da Nações Unidas. No caso da Alemanha, a temperatura chegou a bater os 41,7 graus, marcados em 28 de junho. Reino Unido, Holanda, Dinamarca e Suíça foram outros países onde as máximas verificadas em junho também bateram os recordes históricos, com temperaturas entre 37 e 39 graus.

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Danúbio raso e racionamento na Hungria

No caso do Danúbio, a sucessão de meses com chuvas abaixo da média já derrubou o nível do rio para 23 centímetros, medidos na semana passada em Budapeste. A menor profundidade a que tinha chegado antes foi registrada em 2018, com 33 centímetros, informou a DW. Como a previsão é de que as temperaturas passem dos 40 graus na Hungria nos próximos dias, a expectativa da agência de águas do governo é de que o nível do rio caia ainda mais.

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Magyar tem pedido às empresas, órgãos públicos e prefeituras que reduzam o consumo de energia nos horários de pico, entre 17h e 22h, de acordo com a agência de notícias Reuters. O primeiro-ministro húngaro também não descartou a possibilidade de baixar atos determinando cortes compulsórios de energia em determinadas horas do dia, caso necessário.

Sérvia sem hidrelétricas

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A Sérvia, também cortada pelo Danúbio, é outro país que está passando por restrições de energia por conta da falta de água no rio. O Ministério da Energia do país informou neste domingo suas duas maiores hidrelétricas, chamadas Djerdap I e Djerdap II, estão com a geração reduzida a menos de um terço de sua capacidade por conta da baixa vazão da água, informou a DW.

Juntas, elas respondem por 18% de toda a eletricidade do país, onde a matriz elétrica é composta em um terço por hidrelétricas e os dois terços restantes por usinas térmicas.

 

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