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Onda de atentados deixa 67 mortos no Iraque

Violência explodiu no país após começo de uma grave crise política

Por Da Redação 22 dez 2011, 16h12

Pelo menos 67 pessoas morreram nesta quinta-feira em vários atentados em Bagdá, detonando uma onda de violência na capital iraquiana menos de uma semana depois do início de uma grave crise política entre sunitas, xiitas e curdos, facções que dividem o poder no país.

De acordo com o governo, foram mais de dez ataques, realizados nos bairros de maioria xiita de Bab al Muatham, Karrada e Allaui (centro de Bagdá), em Adhamiyah, Shuala e Shaab (região norte), em Jadriyah (leste) e em Al Amil (sul da capital). Os primeiros atentados foram cometidos durante a manhã, na hora de maior tráfego de veículos. À noite, mais três pessoas morreram em dois novos ataques, em um café e em um mercado. Além disso, um posto do Exército na cidade de Mosul, no norte do país, foi atacado por disparos.

Essas ações violentas são as primeiras a ocorrer desde o início da crise política que ameaça a trégua entre as diferentes forças do país, e fazem temer um retorno da violência religiosa, poucos dias depois da retirada das tropas americanas. O atentado mais grave foi realizado por um suicida ao volante de um carro-bomba que explodiu em frente aos escritórios da agência anticorrupção, matando 23 pessoas, entre elas cinco investigadores, informou um funcionário do Ministério do Interior. Outras duas bombas colocadas em uma estrada e um carro-bomba no bairro de Alaowi, do centro de Bagdá, deixaram 16 mortos, na maioria operários da construção.

“(Os atentados) não eram dirigidos contra instituições ou postos de segurança”, mas principalmente contra “escolas, trabalhadores, e a agência anticorrupção”, disse o general Qasim Atta, porta-voz do sistema de segurança de Bagdá. Os locais onde ocorreram as explosões foram cercados pela polícia com o apoio de helicópteros, enquanto o reforço dos controles nos postos de segurança deixava o trânsito mais caótico que o normal.

Reações – A Casa Branca condenou a série de atentados mortais, mas assegurou que as forças de segurança deste país são capazes de fazer frente a esse tipo de violência, poucos dias depois da saída dos últimos soldados americanos.

“Estas tentativas de frear os progressos do Iraque fracassarão. O Iraque sofreu atentados horríveis do mesmo gênero no passado e suas forças de segurança demonstraram ser capazes de fazer frente a eles e de manter a estabilidade” do país, afirmou o porta-voz do presidente Barack Obama, Jay Carney.

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O enviado especial das Nações Unidas em Bagdá, Martin Kobler, deplorou os ataques “horríveis”. A embaixada americana declarou ser “particularmente importante durante este período crítico que os líderes políticos do Iraque resolvam suas diferenças pacificamente”. O primeiro-ministro iraquiano, o xiita Nuri al Maliki, fez um chamado a “todas as forças nacionais de boa vontade a permanecer ao lado das forças de segurança”.

Crise – A crise política no Iraque começou há cinco dias, após ser emitido um mandado de prisão contra o vice-presidente sunita Tarek al Hashemi, cuja renúncia foi pedida pelo premiê Maliki. O bloco parlamentar Iraqiya, apoiado pelos sunitas, decidiu então boicotar o Parlamento e o governo.

O Iraqiya, segundo maior grupo parlamentar, atrás da coalizão xiita Aliança Nacional, denunciou a “ditadura” do primeiro-ministro. Um de seus membros, o vice-primeiro-ministro Saleh Mutlak, classificou Nuri al Maliki de “ditador pior que Saddam Hussein”. Maliki convocou as autoridades da região autônoma do Curdistão a entregar à justiça o vice-presidente Hashemi e ameaçou substituir os ministros pertencentes ao Iraqiya se continuarem boicotando o governo de união nacional.

O vice-presidente é suspeito de ter financiado e apoiado atentados realizados por seus guarda-costas. Hashemi negou com veemência as acusações e afirmou que estava disposto a ser submetido a julgamento, com a condição de que o processo seja realizado na região autônoma curda, onde encontra-se atualmente.

O vice-presidente acrescentou que as aparentes confissões transmitidas pela televisão oficial, vinculando-o a ataques, eram “falsas” e estavam “politizadas”. Maliki e outros líderes convocaram reuniões para resolver a crise, mas o porta-voz do primeiro-ministro disse que não aceitará nenhuma mediação nas acusações contra Hashemi.

A violência encontra-se atualmente em um nível inferior à registrada em 2006 e 2007, mas os ataques continuam sendo comuns. Em novembro morreram 187 pessoas, de acordo com dados oficiais.

(Com agência France-Presse)

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