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OEA convoca reunião para discutir impasse sobre Assange

Países-membros acataram o pedido do Equador e um novo encontro de representantes foi agendado para o próximo dia 24 de agosto, sexta-feira

Por Da Redação 18 ago 2012, 05h28

A Organização dos Estados Americanos (OEA) agendou uma reunião de chanceleres para o próximo dia 24 de agosto, em Washington, para debater o impasse diplomático provocado pelo asilo político outorgado pelo Equador ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, refugiado na embaixada do país em Londres.

Entenda o caso

  1. • Julian Assange é acusado de agressão sexual por duas mulheres da Suécia, mas nega os crimes, diz que as relações foram consensuais e que é vítima de perseguição.
  2. • Ele foi detido em 7 de dezembro de 2010, pouco depois que o site Wikileaks, do qual é o proprietário, divulgou milhares de documentos confidenciais da diplomacia americana que revelam métodos e práticas questionáveis de muitos governos – causando constrangimentos aos EUA.
  3. • O australiano estava em prisão domiciliar na Grã-Bretanha, até que em maio de 2012 a Justiça determinou sua extradição à Suécia; desde então, ele busca meios jurídicos para ter o caso reavaliado, com medo de que Estocolmo o envie aos EUA.

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Com uma votação de 23 países a favor e três contra — Estados Unidos, Canadá e Trinidad e Tobago –, a OEA aprovou a resolução proposta por Quito que pede aos chanceleres para tratar da “inviolabilidade dos locais diplomáticos do Equador na Grã-Bretanha”. Os votos a favor foram de todos os países sul-americanos, do México e das nações da América Central e do Caribe, com exceção de Panamá, Honduras, Barbados, Jamaica e Bahamas, que se abstiveram. A votação aconteceu durante uma reunião extraordinária realizada na sexta na sede da organização.

Os Estados Unidos e o Canadá mostraram sua oposição, ao considerar que este assunto é de exclusiva competência de Londres e Quito e que o papel da OEA se limita a chamá-los ao diálogo. “Acreditamos que uma reunião de chanceleres não será útil e poderá ser prejudicial para a reputação da OEA”, afirmou a embaixadora americana, Carmen Lomellin. O pedido de reunião extraordinária pelo Equador foi realizado diante das supostas “ameaças” do governo britânico de que tirará Assange à força da embaixada equatoriana em Londres, embora o governo britânico já tenha descartado essa possibilidade.

Histórico – O Equador anunciou na quinta a concessão de asilo diplomático a Assange por considerar que existem riscos para sua integridade e sua vida em consequência das revelações feitas pelo Wikileaks.Assange entrou na embaixada do país sul-americano em Londres no dia 19 de junho, depois de esgotar todas as opções legais contra um pedido de extradição à Suécia, onde é denunciado por crimes sexuais – acusação que ele nega. O australiano de 41 anos provocou a revolta do governo dos EUA depois que seu portal publicou milhares de documentos confidenciais, o que deixou em situação incômoda o serviço diplomático americano e de outros países em 2010. Assange teme que uma eventual deportação para a Suécia abra as portas para uma nova deportação, desta vez para os Estados Unidos, onde as acusações poderiam levá-lo à pena de morte.

Relação promíscua – Analistas internacionais afirmam que, para se entender a decisão do governo equatoriano, é preciso ter em conta que o presidente do Equador Rafael Correa e Assange têm interesses comuns. “Os dois acreditam que os Estados Unidos são um império que precisa ser controlado”, afirmou à rede CNN Robert Amsterdam, advogado especializado em direito internacional.

Não deixa de ser irônica essa aproximação entre um homem que se proclama defensor incondicional do direito de expressão, como Assange, com um dos grandes perseguidores da imprensa independente, como Correa. O presidente equatoriano é famoso por processar jornalistas e recomendar a ministros que não deem entrevistas. Para Amsterdam, Assange parece agora estar mais interessado em se salvar do que em defender a imprensa livre.

(Com agência France-Presse)

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