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OEA acusa agentes cubanos de torturar opositores de Caracas e Manágua

Com promessa de 'fazer justiça' contra repressão, uruguaio Luis Almagro recebe apoio antecipado à sua reeleição do governo de Jair Bolsonaro

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, acusou nesta sexta-feira, 7, agentes do governo de Cuba de torturar opositores políticos na Venezuela e na Nicarágua. Almagro prometeu acabar com a “impunidade” de Havana e “fazer justiça” nos países onde tem assumido a responsabilidade por esses crimes.

“Já passou da hora de acabar com a impunidade dos ditadores cubanos. Faremos justiça, faremos justiça nos países da América Latina que sofreram esta agressão, tortura, repressão e privação de liberdades”, disse Almagro na abertura da conferência na OEA sobre direitos humanos em Cuba.

O responsável pelo organismo hemisférico disse ter recebido denúncias de pessoas de Nicarágua e Venezuela que relataram ter sido torturadas na presença de agentes cubanos.

“Na Nicarágua, ouvimos depoimentos de vítimas de tortura que garantem que cubanos estavam presentes enquanto eram torturados”, afirmou Almagro, que anunciou na quinta-feira 6 sua disposição de concorrer à reeleição para o mandato 2020-2025 na OEA.

Na Venezuela, explicou o secretário-geral da OEA, há cerca de 46 mil cubanos que atuam como “uma força de ocupação que ensina a torturar, a reprimir, e que faz trabalhos de inteligência, que faz trabalhos de imigração”.

Sua campanha de reeleição já conta com o apoio do governo de Jair Bolsonaro. Pelo Twitter, o futuro chanceler, Ernesto Araújo, externou o voto do Brasil para Almagro.

Em 2017, o jornal cubano Juventud Rebelde informou que os 46.000 cubanos presentes na Venezuela ajudavam em vinte programas sociais, entre eles o chamado ‘Barrio Adentro’, que funciona com postos de saúde em vizinhanças mais pobres do país. Parte dos cubanos está também destacada para o comando militar e para a segurança do ditador Nicolás Maduro.

Almagro afirmou que combaterá “a privação de liberdades” em Cuba será uma “prioridade na agenda interamericana”.

“Enquanto Cuba for uma ditadura, perseguindo, assassinando, torturando e silenciando sua gente, e ensinando outros da região a perseguir, a assassinar, a torturar e a silenciar, não poderemos ter um hemisfério completamente desprovido de más práticas que afetam a liberdade, a democracia e a paz”, ressaltou.

Membro da OEA desde a sua criação, em 1948, Cuba foi suspensa em 1962 depois que a revolução liderada por Fidel Castro aderiu ao comunismo e se aliou à União Soviética. Depois de décadas de confronto, a OEA encerrou a suspensão de Cuba. Mas Havana se negou a voltar à organização.

(Com EFE)