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Observadores árabes visitam Homs, cidade mais reprimida pelo regime sírio

Por Da Redação 27 dez 2011, 15h33

Cairo, 27 dez (EFE).- Um grupo de observadores da Liga Árabe visitou nesta terça-feira pela primeira vez a cidade síria de Homs, o foco da oposição mais castigado pelo regime do presidente Bashar al Assad desde que começaram os protestos em março.

Segundo os opositores, mais de 70 mil pessoas saíram às ruas nesta localidade do centro da Síria, que conta com cerca de 1,5 milhão de habitantes, para receber a equipe de analistas com uma manifestação contra o regime.

Homs voltou a ser cenário da repressão dos protestos por parte das forças de segurança, com bombardeios do Exército e a morte de civis. Nesta terça-feira, pelo menos 13 pessoas morreram na região de um total de 33 vítimas em todo o país, de acordo com os Comitês de Coordenação Local.

Enquanto isso, o Observatório Sírio de Direitos Humanos chamou a atenção ao fato de que os carros de combate do Exército se ocultaram no interior de vários centros governamentais.

Com estas ações, o foco de atenção mobilizou os 12 observadores, que dirigidos pelo chefe da missão da Liga Árabe, o general sudanês Mohammed Ahmad Mustafa al Dabi, visitaram a cidade para comprovar o cumprimento da iniciativa de solução à crise proposta pela organização.

O plano estipula, entre outros pontos, o fim violência, a retirada militar das localidades e a libertação dos presos durante os protestos.

O chefe de Operações da missão disse no Cairo que os observadores começaram seu trabalho em Homs nesta terça-feira, onde se encontraram com o governador, e deverão enviar relatórios regulares sobre a situação na Síria.

A expectativa é de que os observadores continuem em Homs durante os próximos dias, embora esse prazo esteja sujeito a avaliação, afirmaram à Agência Efe fontes da Liga Árabe.

As condições da visita foram fixadas no protocolo que a Síria assinou no dia 19 de dezembro, que estipula a coordenação dos observadores com as autoridades do país.

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Na prática, isto gerou críticas entre os moradores da cidade e os opositores, descontentes porque os observadores não teriam entrado nos bairros supostamente mais afetados.

O porta-voz dos Comitês disse à Efe que os observadores estão seguindo as indicações das autoridades, que lhes convenceram a não visitar certas áreas pelos riscos que existem para sua segurança.

Um vídeo divulgado na Internet mostra queixas de vários moradores que pedem que a delegação se desloque às áreas mais quentes para ver ‘vítimas desarmadas’ frente aos disparos dos franco-atiradores.

Há meses, as mortes são constantes em Homs, assim como as manifestações que pedem a queda de Bashar al Assad.

A situação piorou de tal forma que em novembro o Conselho Nacional Sírio, principal órgão da oposição, solicitou às Nações Unidas que declarassem Homs como ‘zona de desastre’ para permitir o envio de ajuda internacional.

Neste momento, os opositores calculavam que cerca de 1.400 pessoas tinham morrido na região, aproximadamente a metade dos mortos que a Organização das Nações Unidas contabilizava em todo o país.

Longe de diminuir, as mortes continuaram diariamente na Síria e os últimas números do organismo internacional calculam mais de 5 mil vítimas da repressão do regime.

Os opositores insistem que a questão deve ser tratada pelo Conselho de Segurança da ONU para pressionar o presidente, para quem a violência é causada por grupos terroristas.

Nesse sentido, a agência de notícias oficial síria, Sana, afirmou que as forças da ordem se enfrentaram com supostos terroristas perto da fronteira com a Turquia para evitar a infiltração de outro grupo nesse país.

Além dos mortos desta terça-feira em Homs, as outras vítimas foram registradas em várias províncias do país, entre elas as de Deraa e Idlib, outros grandes focos da oposição ao presidente. EFE

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