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Observadores árabes iniciam missão na Síria e 30.000 se manifestam contra o regime

Por - 27 dez 2011, 13h32

Os observadores da Liga Árabe iniciaram sua missão na Síria nesta terça-feira ao chegar a Homs, reduto da revolta contra o regime e onde cerca de 30.000 pessoas se manifestavam após a morte de mais de 30 civis, assassinados na véspera pelas forças governamentais, segundo militantes.

O canal de televisão privado Dunia, ligado ao poder, afirmou que os observadores se reuniram no bairro de Bab Sebaam, onde “avaliaram os estragos feitos por grupos terroristas”.

As autoridades afirmam que a violência na Síria é provocada por grupos “terroristas armados”, enquanto a oposição acusa o regime de reprimir de forma sangrenta o movimento de contestação pacífica.

A agência de notícias oficial Sana relatou, por sua vez, um ataque terrorista nesta terça-feira contra um gasoduto, na região de Homs.

“Os observadores árabes devem ir a Hama (norte) e Idleb (noroeste)”, acrescentou Dunia, sem precisar datas.

Um civil foi morto e quatro outros ficaram feridos nesta terça-feira pelas forças de ordem na província de Idleb, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

A agência de notícias informou mais cedo sobre o encontro da delegação árabe com o governador de Homs, Ghassane Abdel Al.

Em outro bairro de insurgência em Homs, Khalidiyé, aproximadamente 30.000 pessoas fizeram um protesto para “denunciar os crimes do regime” do presidente Bashar al-Assad, segundo o OSDH. Outras manifestações ocorreram nos bairros de Bab-Dreib e Jab al-Jandali.

O presidente do OSDH, Rami Abdel Rahmane, disse à AFP que 11 tanques foram retirados das ruas de Baba Amro às 07H00 GMT (05H00 de Brasília), palco de bombardeios nos últimos dias.

O OSDH e o Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne a maioria da oposição, pediu que os observadores visitassem particularmente este bairro.

Rami Abdel Rahmane disse não saber se os veículos das tropas continuavam no bairro.

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“A delegação de observadores entrou em Baba Amro, acompanhada de pessoas do governo, mas não se reuniu com habitantes”, afirmou um pouco mais tarde.

O general sudanês Mustafa Mohamed Geral Ahmed al-Dabi, chefe da missão de observadores, declarou nesta manhã à AFP que os oficiais sírios tinham, “até o presente momento (…) colaborado”.

Cinqüenta observadores árabes chegaram à Síria na segunda-feira para monitorar a situação do país, depois da ONU informar que mais de 5.000 pessoas morreram na repressão desde meados de março.

A missão faz parte de um plano da Liga Árabe para acabar com a crise e que prevê o fim da violência, a libertação de prisioneiros, a retirada do exército das cidades e a livre circulação no país de observadores e imprensa.

Quarenta e quatro civis foram mortos na segunda-feira por forças do governo, 34 delas na província de Homs.

O CNS pediu na segunda-feira ao Conselho de Segurança da ONU que adote o plano da Liga Árabe para a Síria, afirmando que o grupo “não tem meios para aplicá-lo.”

“É melhor que o Conselho de Segurança das Nações Unidas assuma o plano (árabe), adote-o e forneça os meios para implementá-lo”, declarou o líder do CNS, Burhan Ghalioun em uma coletiva de imprensa em Paris.

“Hoje, o plano árabe é o melhor para neutralizar a crise, mas acho que a Liga Árabe não tem os meios necessários para aplicá-lo”, disse Ghalioun.

“Se for adotado pela ONU, terá mais força”, acredita, ressaltando que até este momento “o governo sírio não respeitou as propostas”.

Uma primeira equipe da Liga Árabe chegou na quinta-feira em Damasco para preparar a missão.

“Os observadores trabalham em condições que a Liga Árabe afirmou não serem boas (…) Eu acho que negociamos mal as condições de trabalho dos observadores”, prosseguiu Ghalioun.

Na capital Damasco, relativamente intocada pelo movimento de contestação, um estudante atirou contra outros alunos nesta terça-feira em uma universidade, matando uma pessoa e ferindo quatro outras, informou a Sana, sem explicar suas motivações, enquanto ativistas alegaram que o ataque foi efetuado por estudantes pró-regime.

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