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Obama se aproxima do anúncio da reforma da inteligência

Presidente dos EUA pode anunciar novas diretrizes da área na próxima semana

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, consultou na quarta-feira autoridades do setor de inteligência sobre formas de limitar as práticas de vigilância dos EUA, à medida que se aproxima de concluir uma revisão que levará a mudanças na forma de proceder com dados de telefonemas e também a restrições na espionagem de líderes estrangeiros.

Obama, que pode anunciar as reformas no setor de inteligência na próxima semana, tem agido em busca de restaurar a confiança dos americanos – e da comunidade internacional – nos serviços de inteligência do país, após os danos causados pelas revelações do ex-analista de sistemas da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), Edward Snowden, sobre a dimensão das práticas de vigilância do governo.

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O presidente conversou sobre o andamento do processo de revisão em reunião com o diretor de Inteligência dos EUA, James Clapper Jr., o diretor da NSA, general Keith Alexander, o secretário de Justiça, Eric Holder, e o vice-presidente, Joe Biden. “Essa foi uma chance importante para o presidente ouvir diretamente de sua equipe, quando ele começa a tomar decisões finais sobre como nós vamos seguir em frente com os programas-chave de inteligência”, disse Caitlin Hayden, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Barack Obama também reuniu-se com integrantes do Conselho de Supervisão da Privacidade e das Liberdade Civis, um grupo bipartidário independente que faz uma revisão das práticas de vigilância dos EUA, incluindo a coleta de dados de telefonemas. O presidente deve ainda se encontrar com parlamentares americanos nesta quinta-feira para voltar a tratar sobre a revisão da inteligência.

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As reformas devem incluir algumas restrições à espionagem de líderes estrangeiros, uma questão surgida no ano passado após denúncias de que a NSA teria espionado as comunicações pessoais da presidente Dilma Rousseff e da chanceler alemã, Angela Merkel. As informações sobre a capacidade de o governo de monitorar o tráfego de telefonemas e e-mails de americanos e estrangeiros estão entre as principais revelações feitas por Snowden, que atualmente vive em asilo temporário na Rússia.

Alterações – Em dezembro, a imprensa americana teve acesso ao relatório produzido por um comitê consultivo presidencial sobre o que deve mudar nos programas de vigilância mantidos pela inteligência dos EUA. Uma das principais propostas do documento de mais de 300 páginas é que qualquer operação de espionagem contra líderes estrangeiros seja submetida a uma rigorosa análise sobre os potenciais custos econômicos e diplomáticos envolvidos caso a operação se torne pública. A decisão sobre monitorar outros governos deve ser tomada pelo presidente e seus assessores e não por agências de inteligência.

Entre as mais de quarenta recomendações também acabar com o armazenamento de dados telefônicos feito pela NSA – as informações ficariam em poder das companhias telefônicas ou de uma terceira parte, para serem consultadas e analisadas somente quando houver autorização judicial para tal. Também em dezembro, um juiz federal considerou que a coleta e armazenagem de dados telefônicos de cidadãos americanos viola a Constituição.

Grandes empresas de tecnologia que tiveram seus dados acessados pela inteligência também pressionam o governo Obama. As empresas cobram celeridade do governo americano na decisão sobre mudanças que imponham restrições aos programas e os torne mais transparentes. Para o setor de tecnologia, as revelações feitas pelo ex-analista de inteligência prejudicam os negócios ligados à venda de hardware, serviços de nuvem e redes sociais.

(Com agência Reuters)