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Obama recebe premiê ucraniano e alerta Rússia para ‘custos’ de violar direito internacional

Presidente americano reafirmou apoio a Kiev e disse que ainda espera que referendo sobre a região da Crimeia possa ser cancelado

Por Da Redação 12 mar 2014, 20h20

O presidente dos EUA, Barack Obama, recebeu nesta quarta-feira na Casa Branca o primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, e voltou a afirmar que o envio de tropas russas para a península da Crimeia “viola a lei internacional”. Obama alertou (novamente) o presidente Vladimir Putin sobre os ‘custos’ dessa decisão. “Vamos continuar a dizer ao governo russo que se ele continuar no caminho que está, então não apenas nós, mas a comunidade internacional, seremos forçados a aplicar o sanções pelas violações da lei internacional”, disse a jornalistas. O presidente americano assinalou que “há outro caminho disponível e esperamos que o presidente Vladimir Putin esteja disposto a segui-lo”. “Mas se ele não o fizer, estou confiante de que a comunidade internacional irá apoiar firmemente o governo ucraniano”.

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Obama afirmou ainda que tem expectativa de que o referendo sobre a independência da região autônoma, marcado para domingo, possa ser cancelado. A consulta popular foi convocada pelas autoridades pró-Moscou da península, que desejam que a região se separe da Ucrânia e seja anexada pela Rússia. “Espero que, em consequência dos esforços diplomáticos nos próximos dias, possamos repensar o processo”, afirmou Obama, insistindo que Washington não reconhecerá o resultado do referendo, se ele de fato for realizado. “Vamos ficar do lado da Ucrânia”. Entre os ‘esforços diplomáticos’ citados por Obama está um encontro do secretário de Estado John Kerry com o chanceler russo Sergei Lavrov, para esta sexta-feira.

O presidente americano falou com os jornalistas tendo ao seu lado o premiê, que garantiu que a Ucrânia “vai lutar por sua soberania e não se renderá jamais”. Acrescentou que seu país “é e será parte do mundo ocidental”, mas ainda deseja ser “bom amigo e parceiro da Rússia”. (Continue lendo o texto)

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​A reunião foi realizada no momento em que o Senado americano avalia um pacote de novas sanções à Rússia e ajuda econômica à Ucrânia. A proposta foi aprovada na Comissão de Relações Exteriores da Casa por 14 votos a três e agora deve seguir para apreciação em plenário. O projeto autoriza 1 bilhão de dólares em garantias de empréstimo para o novo governo ucraniano e permite à administração Obama impor sanções econômicas sobre autoridades russas responsáveis pela intervenção na Crimeia ou envolvidas em casos de corrupção.

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Após o encontro com Obama, Yatsenyuk participou de uma conferência na qual destacou que o acordo com a União Europeia – o mesmo que deu início à onda de protestos contra o então presidente Viktor Yanukovich, que acabou destituído – poderá ser assinado na próxima semana. “Tenho certeza de que, na próxima semana, a Ucrânia assinará a parte política do acordo de associação e dará um passo muito forte e sólido para fazer da Ucrânia uma parte integral da União Europeia”.

Yatseniuk também deve se reunir em Washington com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e nesta quinta discursará em Nova York em uma nova sessão do Conselho de Segurança da ONU que visa analisar a crise na Ucrânia.

Mais alertas a Putin – Também nesta quarta, líderes do G7, grupo de nações industrializadas que inclui Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Japão, Grã-Bretanha e Canadá, e também a União Europeia divulgaram um comunicado pedindo que a Rússia “pare com todos os esforços para mudar o status da Crimeia”. Advertiram que essa movimentação “pode ter grave implicações para a ordem legal que protege a unidade e a soberania de todos os Estados”. Os países também insistiram que o referendo não terá “força moral, devido à presença intimidadora de tropas russas na região”. O texto também fala em “ações individuais e coletivas” que podem ser tomadas se a Rússia mantiver sua posição.

(Com agências Reuters, EFE e France-Presse)

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