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Obama pede US$ 3,7 bi para enfrentar surto migratório de crianças

Dinheiro será usado para aumentar vigilância e acelerar processo de deportação. Mas pedido deve enfrentar um caminho duro no Congresso

Por Da Redação 8 jul 2014, 17h07

O presidente Barack Obama pediu ao Congresso nesta terça-feira 3,7 bilhões de dólares (8,7 bilhões de dólares) para enfrentar o surto migratório de menores desacompanhados que estão cruzando ilegalmente a fronteira entre México e Estados Unidos. Os menores têm atravessado a fronteira em números recordes nos últimos meses, sendo que mais de 52.000 crianças chegaram ao país desde outubro do ano passado.

Segundo a Casa Branca, o dinheiro solicitado servirá para aumentar a vigilância aérea com o uso de drones, construir centros de detenção, melhorar a capacidade dos tribunais de imigração e elevar o número de juízes, além de aumentar a cooperação com os países de origem das crianças e jovens. Três em cada quatro crianças imigrantes vêm de El Salvador, Guatemala e Honduras.

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A convicção, por parte dos centro-americanos, de que Obama está recebendo os imigrantes de braços abertos estimula a travessia rumo ao território norte-americano. Reeleito em 2012 com 71% do voto da população de origem latina, Obama tomou decisões que inflaram as esperanças de quem não consegue entrar legalmente nos Estados Unidos, como instruir funcionários da imigração a não deportar mães com filhos pequenos (orientação de 2011) ou livrar temporariamente da deportação jovens que entraram no país quando ainda eram crianças.

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Agora, o governo americano lida com uma situação que classifica como um “desafio humanitário urgente”, e Obama se vê na incômoda posição de pedir recursos para reprimir a chegada ilegal de imigrantes, ao mesmo tempo em que espera assinar uma reforma imigratória que pretende dar visto de permanência a 11 milhões de clandestinos.

O pedido de recursos vai enfrentar um caminho duro no Congresso. Muitos republicanos são céticos sobre a liberação de tanto dinheiro, sem que haja compensação por meio de cortes de gastos. E muitos democratas são contra o foco na detenção de famílias e crianças, mesmo que tenham entrado no país ilegalmente. Na cidade de Nogales, no Arizona, um abrigo do governo aloja crianças que entraram no país desacompanhadas. Quem já entrou no local afirma que os banheiros são improvisados e que o cheiro é insuportável. Além disso, as celas onde os imigrantes são acomodados são frias e a comida trazida pelos guardas não é suficiente para todos.

Obama tem resistido aos pedidos para visitar a fronteira e ver a situação de perto. Mas planeja discutir a crise com líderes religiosos e moradores locais durante um evento para arrecadação de fundos de campanha na quarta-feira, no Texas. A maior parte do dinheiro solicitado, 1,8 bilhão de dólares, deve ir para o Departamento de Saúde e Serviços, encarregado de abrigar as crianças que cruzam a fronteira sozinhas até que as autoridades consigam colocá-las sob os cuidados de padrinhos, com quem ficam enquanto se desenrola o processo de deportação.

O presidente americano disse ao Congresso na semana passada que quer mudar a lei atual para que o governo possa enviar as crianças de volta mais rapidamente. Segundo uma regra de 2008, crianças de países que não são contíguos aos Estados Unidos devem ser colocadas sob o cuidado de responsáveis nos Estados Unidos, enquanto aguardam um tribunal ouvir seus casos de deportação – espera que pode se estender por anos.

Autoridades americanas responsabilizam as redes de tráfico humano por espalharem informações falsas de que as crianças poderão permanecer no país. Em uma tentativa de reverter as falsas esperanças, a Casa Branca adotou um tom mais duro nos últimos dias, enfatizando que aqueles que não se qualificarem para ajuda humanitária serão enviados de volta para seus países de origem.

(Com Estadão Conteúdo)

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