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Obama diz a aliados árabes que acordo com Irã não representa ameaça

Após reunião com o presidente americano, representantes de países do Golfo emitiram comunicado dizendo que pacto está de acordo com seus interesses de segurança

Por Da Redação 14 Maio 2015, 21h34

O presidente americano Barack Obama reiterou nesta quinta-feira que um acordo nuclear com o Irã não afetará os interesses dos Estados Unidos nem o de seus aliados árabes no Oriente Médio. Em reunião com representantes políticos de Catar, Kuwait, Arábia Saudita, Bahrein, Omã e Emirados Árabes Unidos, no retiro presidencial de Camp David, Obama reafirmou seu comprometimento “inequívoco” em usar “todos os elementos do poder” para assegurar os interesses americanos no Golfo Pérsico e proteger as nações aliadas de qualquer agressão externa. “Eu fui muito explícito. Os Estados Unidos estarão ao lado de nossos parceiros do Golfo Pérsico no caso de ataques externos”, disse.

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Após a reunião com Obama, as seis nações do Conselho de Cooperação do Golfo concordaram em emitir um comunicado dizendo que um pacto nuclear “compreensível e verificável” com o Irã está de acordo com seus interesses na área de segurança. Tanto os Estados Unidos quanto os países árabes afirmaram que trabalharão “juntos para impedir que o Irã desestabilize as atividades na região”. Os governos também concordaram em realizar um novo encontro no próximo ano para estabelecer uma estrutura cooperativa mais sólida e implementar políticas compartilhadas, informou o jornal The Washington Post. Entre elas está a possibilidade de os americanos ajudarem a estabelecer uma defesa regional contra mísseis balísticos e um sistema de alarme.

As declarações conjuntas tranquilizam, por ora, as tensões diplomáticas entre os governos de Estados Unidos e Arábia Saudita. O rei Salman rejeitou no último minuto o convite da Casa Branca e enviou o príncipe-herdeiro, Mohammed bin Nayef, e seu filho, o ministro da Defesa, príncipe Mohammed ben Salman, para o encontro com Obama. O país não vê o acordo com bons olhos. “Podemos imaginar de que forma o Irã poderá ser ainda mais provocador caso disponha de uma arma atômica”, expressou Obama em uma entrevista ao jornal saudita Asharq al-Awsat, na qual também considerou indispensável suprimir “uma das principais ameaças à segurança da região”.

Se o acordo com o Irã, que deve ser finalizado no fim de junho, é alvo de inquietações, as tensões se concentram no crescimento da presença da República Islâmica na região. Para Bruce Riedel, do instituto Brookings, “não se trata de uma divergência sobre o número de centrífugas nucleares. Trata-se de saber se o Irã deve ser aceito como um interlocutor legítimo no seio da comunidade internacional”. Já Hussein Ibish, do Arab Gulf States Institute, afirmou que “os países do Golfo acreditam, acima de tudo, que a política americana começa a se inclinar ao Irã e se afasta de aliados tradicionais dos Estados Unidos na região”.

(Da redação)

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