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Obama critica Sony por cancelar estreia de filme que irritou Kim Jong-un

Presidente disse que 'nenhum ditador pode impor censura' ao povo americano e prometeu uma resposta proporcional ao ciberataque

(Atualizado às 20h)

O presidente Barack Obama disse nesta sexta-feira que o estúdio Sony “cometeu um erro” ao suspender a estreia do filme A Entrevista após hackers da Coreia do Norte realizarem ciberataques contra a empresa e ameaçarem atacar os cinemas que exibissem a comédia, que satiriza o regime do país comunista.

“A Sony é uma corporação que sofreu grandes perdas e seus empregados sofreram ameaças. Sou solidário. Dito isso, eu acho que eles cometeram um erro. (…) Gostaria que eles tivessem falado comigo antes. Eu teria dito a eles a não assumirem um padrão no qual você se intimida por esse tipo de ataque criminoso”, disse Obama durante entrevista coletiva de fim de ano.

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Ele citou como exemplo a Maratona de Boston, alvo de um atentado em 2013 que deixou três mortos e mais de 260 feridos, mas que ganhou uma nova edição no ano seguinte. “Não podemos ter uma sociedade na qual algum ditador em algum lugar pode começar a impor censura aqui nos Estados Unidos. Porque se alguém é capaz de intimidar o lançamento de uma comédia, imagine o que vão começar a fazer quando virem um documentário ou notícias de que não gostam”.

Para o presidente americano, ainda pior é uma situação na qual as pessoas se autocensuram e deixam de divulgar algo que possa ofender alguém. “Não somos assim”.

Reação – O diretor-executivo da Sony Pictures, Michael Lynton, negou que a empresa tenha cometido um erro. “O presidente, a imprensa e o público estão enganados sobre o que realmente aconteceu”, disse, em entrevista à rede CNN, afirmando que a decisão só foi tomada depois que as grandes redes de cinema se recusaram a exibir a comédia. “Nós não somos donos dos cinemas. Não podemos determinar se um filme vai ou não ser exibido. Nós não cedemos (…) Nós sempre quisemos que o público americano assistisse ao filme”. Ele disse ainda considerar a possibilidade de disponibilizar o filme online, mas afirmou que precisa de um grande distribuidor para intermediar o processo e, neste momento, não há nenhum disposto a fazê-lo.

O presidente Obama afirmou que os EUA planejam “uma reposta proporcional” à ação norte-coreana. “Vamos responder proporcionalmente e vamos responder no lugar e na hora que decidirmos”, disse, sem dar detalhes sobre o que poderá ser feito. Segundo especialistas, a resposta da administração Obama pode incluir ciber-retaliação, sanções financeiras e até o aumento no apoio militar à Coreia do Sul, para enviar uma mensagem ao Norte. A Coreia do Norte já é o país mais isolado do mundo e já sofre sanções pesadas.

Os repórteres perguntaram se Obama pretende assistir ao filme, mas Obama saiu pela tangente: “Tenho uma longa lista filmes que preciso assistir”.

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FBI – Nesta sexta-feira, o FBI acusou oficialmente a Coreia do Norte de estar por trás dos ciberataques. Desde junho a Coreia do Norte vinha reclamando do filme, dizendo que ele constituía “um ato de guerra” e chegando a enviar uma carta de protesto às Nações Unidas.

Em novembro, o estúdio foi alvo do ciberataque, que resultou no vazamento de dados e filmes ainda inéditos, provocando prejuízo e arranhando a imagem da empresa. Também foram divulgados conteúdos indiscretos de e-mails com opiniões desfavoráveis sobre atores. Além disso, os hackers ameaçaram atacar os cinemas que exibirem o filme.

A ameaça levou várias redes de cinemas dos EUA a cancelar exibições e a Sony acabou suspendendo a estreia do filme no país, originalmente programada para 25 de dezembro. O cancelamento foi criticado em vários veículos da imprensa americana, que afirmaram que a Sony se acovardou diante das ameaças.

(Com agência Reuters)