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Obama critica polícia por “força excessiva” em protestos por morte de jovem negro

Forças de segurança de Ferguson, no Missouri, usaram gás lacrimogênio e blindados para conter manifestações. Dois jornalistas foram presos

(Atualizado às 20h55)

O presidente Barack Obama criticou nesta quinta-feira a polícia da cidade de Ferguson, no Estado do Missouri, após mais uma noite de protestos por causa da morte de um jovem negro, baleado por um policial. Segundo o presidente, “não existem desculpas para a polícia usar força excessiva” na repressão dos manifestantes. Em Martha’s Vineyard, de férias com a família, Obama disse que a polícia local tem a obrigação de ser transparente na investigação do caso. Por outro lado, ponderou, não há justificativa para ataques contra a polícia. “Perdemos um jovem em circunstâncias desoladoras e trágicas”, disse. “Agora é tempo de curar. Agora é tempo de paz e calma nas ruas de Ferguson.”

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O clima de tensão em Ferguson, que tem 21.000 habitantes, começou no último sábado, quando um policial matou Michael Brown, de 18 anos. O jovem começaria a frequentar aulas numa universidade ainda nesta semana. As autoridades locais afirmaram que Brown foi alvejado porque tentou pegar a arma do policial, mas há relatos de que Brown estava com as mãos para o alto quando foi baleado.

Os protestos começaram no fim de semana, e no domingo e na segunda-feira houve registro de saques e depredações de lojas. Em resposta, a polícia ocupou as ruas com veículos blindados, tentou dispersar os manifestantes com bombas de gás lacrimogênio e até posicionou atiradores de elite no alto de prédios. Na quarta-feira à noite, um repórter do The Washington Post e outro do Huffington Post chegaram a ser presos. Eles acabaram liberados pouco depois, mas a ação gerou críticas da imprensa americana e também de Obama, nesta quinta-feira. “Aqui nos Estados Unidos da América, a polícia não deveria intimidar ou prender jornalistas que estão só tentando fazer o seu trabalho”, disse o presidente americano. Mais de 50 pessoas foram presas.

Até o momento, a polícia de Ferguson não divulgou o nome do policial que atirou em Brown, alegando preocupações com segurança após a onda de protestos. Com a repercussão dos protestos, o FBI (a polícia federal americana) entrou no caso, e nesta quinta-feira o governador do Missouri, Jay Nixon (Partido Democrata), foi à cidade acompanhar a situação e determinou que os protestos agora vão ser acompanhados pela polícia estadual, e não mais pela local. De acordo com a imprensa americana, Nixon pode anunciar a substituição da chefia de polícia do condado de St. Louis, onde fica Ferguson.