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Obama confirma que cogita enviar armas à Ucrânia

Presidente enfrenta pressões para oferecer armas letais de defesa a Kiev, mas países europeus insistem na necessidade de buscar solução diplomática

O presidente Barack Obama afirmou nesta segunda-feira que o envio de armas para ajudar Kiev a se defender da agressão da Rússia é uma opção que já vem sendo estudada. “Se, de fato, a diplomacia falhar, o que eu pedi para minha equipe fazer foi examinar todas as opções”, disse, em uma entrevista coletiva concedida na Casa Branca, ao lado da chanceler alemã Angela Merkel.

Obama acrescentou que a Rússia violou “cada compromisso” assumido no acordo de Minsk – que deu origem a uma trégua, não respeitada. O presidente americano também disse que as sanções aplicadas contra Moscou “ainda não dissuadiram [Vladimir] Putin de seguir o caminho que está trilhando”.

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Nos Estados Unidos, alguns militares e políticos pressionam pelo envio de armas para ajudar a Ucrânia a interromper o avanço rebelde – vozes favoráveis ao armamento já se levantam no Congresso americano, dominado por republicanos. “Os ucranianos estão sendo massacrados e estamos enviando para eles cobertores e comida. Cobertores não servem contra tanques russos”, disse o senador John McCain durante uma conferência sobre segurança realizada em Munique no fim de semana.

Muitos países europeus, no entanto, expressam preocupação de que o envio de armas agrave o conflito no leste ucraniano. E preferem manter a pressão por meio de sanções econômicas que forcem Putin a aceitar algum pacto. “Eu entendo o debate, mas acredito que mais armas não vão levar ao progresso que a Ucrânia precisa”, disse Merkel, defendendo que todas as oportunidades para uma solução diplomática devem ser analisadas.

Nesta segunda, chanceleres europeus aprovaram proibição de visto e congelamento de ativos de mais separatistas ucranianos e russos. Mas decidiram esperar até o próximo dia 16 para impor as medidas – com isso, pretendem dar mais tempo para as conversas de paz. (Continue lendo o texto)

Na quarta-feira, Merkel deverá se reunir com o presidente francês François Hollande e o presidente russo na Bielo-Rússia. A chanceler e Hollande já visitaram Kiev e Moscou para tentar renovar o cessar-fogo e traçar um plano de paz. “O princípio dessas sanções está mantido, mas a implementação vai depender dos resultados (das conversas)”, disse o ministro de Relações Exteriores francês, Laurent Fabius.

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Enquanto nega as acusações de envios de tropa e suprimentos para os separatistas, Putin culpa o Ocidente pela crise que já tirou a vida de mais de 5.300 pessoas e forçou 1,5 milhão a deixar suas casas. Só nas últimas 24 horas, no leste do país, dezesseis pessoas, incluindo sete civis, foram mortos em confrontos.

O governo ucraniano denunciou que 1.500 soldados russos e comboios militares cruzaram a fronteira entre os dias 7 e 8 de fevereiro. O porta-voz da operação militar contra os separatistas pró-Rússia do leste da Ucrânia afirmou também que 300 peças de armamento pesado, incluindo plataformas de lançamento de mísseis, entraram no território ucraniano.

(Com agências Reuters, France-Presse , EFE e Estadão Conteúdo)