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Obama autoriza envio de armas aos rebeldes sírios

Decisão foi tomada após confirmação de que Assad usou armas químicas

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, autorizou publicamente pela primeira vez o envio de armas americanas aos rebeldes sírios como parte de um novo pacote de apoio militar à oposição na guerra civil contra o ditador Bashar Assad. A decisão foi anunciada pela Casa Branca depois que os EUA confirmaram o uso de armas químicas por parte do regime sírio.

O porta-voz da Casa Branca, Ben Rhodes, disse que Obama tomou essa decisão justamente devido à conclusão de que Assad apelou para o uso de armas químicas, mas sublinhou que a ajuda anunciada não é diferente da que já foi enviada pelo governo dos EUA anteriormente. Obama já havia afirmado que o uso de armas químicas equivaleria ao cruzamento de uma “linha vermelha” para a intervenção estrangeira no país.

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A decisão foi imediatamente celebrada pelos rebeldes sírios e criticada pelo governo de Assad, assim como a Rússia, um dos maiores aliados do regime sírio. O Ministério de Relações Exteriores da Síria disse que os EUA recorreram a “métodos banais” para justificar sua decisão de armar os rebeldes. “Barack Obama exerce dois pesos e duas medidas em seu tratamento ao terrorismo”, disse a chancelaria síria em comunicado divulgado na agência de notícias Sana.

O assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, disse que as “acusações” americanas sobre o uso de armas químicas não são convincentes. “Diremos claramente: o que os americanos apresentaram não nos parece convincente”, afirmou, acrescentando que a decisão americana de aumentar a ajuda aos rebeldes complicará os esforços de paz.

Apoio – Já o porta-voz do Comando Conjunto do Exército Livre Sírio (ELS), Fahd Al-Masri, disse que, com a medida, “erros passados” dos EUA em relação aos rebeldes foram corrigidos e está aberta uma nova etapa no conflito sírio. “Os Estados Unidos tomaram a decisão de armar os rebeldes depois que várias forças estrangeiras começaram a interferir na Síria”, disse o porta-voz, que denunciou o apoio ao regime de Damasco do Irã, do grupo xiita libanês Hezbollah, de combatentes xiitas iraquianos e da Rússia.

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A Grã-Bretanha anunciou que está de acordo com a avaliação dos EUA sobre o uso de armas químicas. “Estamos de acordo com a avaliação dos Estados Unidos de que o regime de Assad utilizou armas químicas na Síria, incluindo gás sarin”, afirmou nesta sexta-feira o chefe da diplomacia britânica, William Hague, que informou que o G8 debaterá a resposta “forte, determinada e coordenada” que a crise exige.

Também nesta sexta-feira, diplomatas afirmaram que os EUA estudam, ainda, a criação de uma zona de exclusão aérea limitada na Síria, perto da fronteira sul com a Jordânia. “Washington está considerando uma zona de exclusão aérea para ajudar os adversários de Assad”, disse um diplomata que pediu anonimato. Ele disse que seria por tempo limitado e em áreas específicas, “possivelmente perto da fronteira com a Jordânia”, sem dar mais detalhes. (Com agências EFE e Reuters)