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Obama anuncia fim da Guerra do Iraque, 9 anos depois da invasão

Jairo Mejía.

Washington, 14 dez (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira em cerimônia militar na Carolina do Norte o fim da Guerra do Iraque, nove anos depois da invasão planejada por George W. Bush, e ressaltou que o resultado da estratégia é um país estável.

Em sua primeira viagem à base militar de Fort Bragg desde que assumiu o poder em janeiro de 2009, Obama afirmou que o fato de os soldados americanos retornarem do Iraque ‘não com uma batalha final, mas com uma volta para casa’, significa algo histórico.

No discurso em um hangar abarrotado de Fort Bragg, o líder buscou manter distâncias em relação à mensagem de ‘missão cumprida’ pronunciada por Bush dois meses depois do início da guerra (março de 2003), embora o conflito ainda estivesse longe de terminar.

Recebido pelos soldados e suas famílias, Obama não poupou agradecimentos às tropas pelo ‘extraordinário trabalho’ realizado no Iraque, que, segundo ele, resultou em ‘uma nação estável e soberana’.

Obama, que em outubro decidiu que as tropas se retirassem do Iraque antes de 31 de dezembro, reconheceu que o país árabe ‘não é um lugar perfeito’ e tem muitos desafios pela frente, mas ressaltou que conseguiu ‘um governo representativo eleito por seu povo’.

Ele procurou destacar que, graças aos avanços no Iraque, as tropas dos EUA poderão abandonar o Afeganistão em 2013 e conseguiram fazer com que os terroristas da rede Al Qaeda não tivessem um lugar onde se refugiar e que Osama bin Landen, assassinado em uma operação militar americana em maio passado, ‘nunca volte a pisar na face da Terra’.

A polêmica invasão do Iraque foi planejada pela Administração Bush com o apoio obtido na Cúpula dos Açores dos governos de Tony Blair (Reino Unido), José María Aznar (Espanha) e José Durão Barroso (Portugal), mas sem o aval da ONU.

As operações começaram em março de 2003 e, dois meses depois, Bush proferiu um discurso no porta-aviões Abraham Lincoln sobre a ‘missão cumprida’ no Iraque, após ter tomado o controle de Bagdá.

Nove anos depois, Obama, que ganhou a Presidência com a promessa de sair do Iraque, buscou centrar seu discurso em agradecimentos às tropas por seu sacrifício, que se traduziu em cerca de 4,5 mil vidas de soldados americanos e de 100 mil iraquianos.

‘Nossos esforços no Iraque oscilaram muito. Foram uma fonte de grande controvérsia aqui, mas houve uma constante: o patriotismo e o compromisso de completar a missão’, ressaltou Obama.

O presidente afirmou que os EUA responderão por seus soldados como eles responderam pelo país e lembrou seu compromisso para fazer com que os veteranos recebam mais assistência social para conseguir trabalhos e contribuir para ‘reconstruir’ o país.

Ele pronunciou palavras de lembrança aos soldados que batalharam e morreram nas primeiras fases da guerra, nas incursões pelo deserto para tomar Bagdá, assim como aos que perderam a vida por causa das forças insurgentes, dos francoatiradores e dos ataques suicidas nos anos posteriores.

‘Vocês, a geração do 11 de Setembro, ganharam um lugar na história’, indicou Obama, ao destacar que eles lutaram para que os iraquianos tivessem a oportunidade de forjar seu próprio destino, um sacrifício ‘não por território ou recursos, mas porque é o correto’.

A retirada do Iraque marcará o fim de um conflito que a Administração Bush justificou à comunidade internacional com acusações de que o ditador Saddam Hussein possuía arsenais de armas de destruição em massa e vínculos com extremistas da rede Al Qaeda no Afeganistão, acusações nunca provadas.

Obama recebeu o legado de Bush e focou na transferência de poder ao governo iraquiano, que ainda enfrenta problemas de segurança e os interesses das diversas regiões e etnias pelo controle das receitas do petróleo. Segundo pesquisas de opinião, três em cada quatro americanos apoiam a retirada.

Interrompido várias vezes por aplausos, Obama, que busca a reeleição em 2012, proferiu o discurso como parte dos esforços da Casa Branca para demonstrar que cumpriu uma das promessas centrais de sua campanha eleitoral de 2008. EFE