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Obama analisa banir escutas de chefes de estados aliados

Casa Branca concorda com 'limitações' à espionagem, mas porta-voz endossou discurso de que coleta de informações é essencial para segurança dos EUA

Por Da Redação - 29 out 2013, 03h22

O presidente Barack Obama deve ordenar a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) que suspenda qualquer tipo de espionagem de chefes de estados estrangeiros aliados dos Estados Unidos, afirmam fontes da Casa Branca e do Congresso americano ouvidas pelo jornal The New York Times. A decisão, não confirmada oficialmente pelo governo, seria uma resposta à crise diplomática aberta nas últimas semanas com tradicionais aliados de Washington na Europa, como França e Alemanha – o caso considerado mais delicado é o que envolve o monitoramento do celular da chanceler alemã, Angela Merkel.

Segundo o NYT, a chefe do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA, senadora Dianne Feinstein, foi informada da intenção de Obama de banir as escutas de líderes amigos como parte de um processo de revisão interna dos métodos da NSA. Desde que os programas de espionagem mantidos pela agência foram revelados pelo ex-técnico de inteligência Edward Snowden,Obama se vê em situação complicada com chefes de estado de diversos países cujos governos foram alvo da NSA, o que inclui Brasil e México.

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Em meio ao descontentamento que se espalhou entre os chefes de estado europeus que tiveram comunicações espionadas pelos Estados Unidos, a Casa Branca afirmou nesta segunda-feira que a administração “reconhece que é preciso haver limitações adicionais sobre como obtemos e usamos inteligência”. O pronunciamento foi feito pelo porta-voz Jay Carney, que, segundo a rede BBC, garantiu que Washington revisará a política de espionagem por “preocupações com a privacidade.”

Carney, contudo, preferiu não comentar as denúncias de que os Estados Unidos grampearam telefones em países aliados. As últimas revelações feitas com base nos documentos vazados mostraram que milhões de cidadãos europeus, incluindo políticos como Angela Merkel, foram espionados nos últimos anos. O porta-voz repetiu o mesmo discurso feito anteriormente e reforçou que “nós não estamos coletando informações porque podemos, mas porque nós precisamos disso para a nossa segurança.”

“Também precisamos assegurar que os nossos recursos de inteligência estão apoiando nossa política externa e os objetivos da segurança nacional”, prosseguiu Carney. A Casa Branca também não comentou a informação de que Obama passou quase cinco anos sem saber que seus próprios espiões estavam grampeando os telefones de líderes mundiais. O porta-voz declarou apenas que a administração “garantirá a segurança dos cidadãos e dos aliados e compartilhará as preocupações com a privacidade dos americanos e cidadão do mundo todo.”

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Uma comissão da União Europeia enviada a Washington descreveu as novas revelações como uma “quebra de confiança”. O parlamentar britânico da UE, Claude Moraes, afirmou que os diplomatas da delegação estão insatisfeitos com a resposta “padrão” dos Estados Unidos. “Eles estão nos respondendo, mas não com as respostas que queremos. Estamos ficando um pouco cansados de declarações do tipo: “Olhe, a espionagem sempre existiu'”, disse. Além da comitiva europeia, Washington deverá receber nos próximos dias a visita dos chefes de inteligência da Alemanha. A viagem foi uma resposta de Merkel às revelações de Snowden.

Nesta segunda-feira, os jornais El País e El Mundo publicaram documentos que provam o acesso a dados de 60 milhões de ligações telefônicas feitas na Espanha entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013. O embaixador americano no país, James Costos, reuniu-se na manhã desta segunda-feira com o secretário de Estado espanhol para a União Europeia, Íñigo Méndez de Vigo, para prestar explicações sobre denúncias de espionagem.

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