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Obama adverte Putin: intervenção na Ucrânia terá custos

"Qualquer violação da soberania será extremamente desestabilizadora”, diz presidente americano

Por Da Redação 28 fev 2014, 20h28

O presidente Barack Obama disse na noite desta sexta-feira que os EUA estão “extremamente preocupados” com uma possível intervenção militar russa na Ucrânia e que “qualquer violação da soberania” do país será “extremamente desestabilizadora”. Horas antes, o governo interino do país comunicou que homens armados tomaram dois aeroportos na região da Crimeia, no sul da Ucrânia, e atribuiu a operação à Rússia. O espaço aéreo da região foi fechado e estradas foram bloqueadas. “Haverá custos para qualquer tipo de intervenção militar”, advertiu Obama, em um breve discurso, acrescentando que vai continuar acompanhando a situação com seus aliados europeus e se comunicando diretamente com a Rússia.

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O presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchinov, pediu nesta sexta-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, retire seus militares da Crimeia. “A Rússia enviou tropas à Crimeia e não apenas tomou o Parlamento como também procura tomar controle da infraestrutura de comunicação. Ela deve parar imediatamente esta provocação e pedir que os militares na Crimeia atuem exclusivamente dentro dos limites estabelecidos nos acordos”, disse, fazendo referência ao tratado de 1997 entre Kiev e Moscou, que estipula as regras para a frota russa do Mar Negro, ancorada no porto de Sebastopol, na Crimeia.

O Ministério ucraniano das Relações Exteriores já havia denunciado a violação do espaço aéreo pela Rússia. “Nós assistimos hoje a uma invasão armada russa (…). O espaço aéreo (da Crimeia) está fechado em razão do grande número de aterrissagens de aviões e helicópteros russos”, denunciou o representante do presidente ucraniano na Crimeia, Serguei Kunitsyne, à rede de televisão ART. Ele estimou em cerca de 2 000 o número de militares russos transportados por aeronaves até o aeroporto militar de Gvardeiskoie, próximo a Simferopol. Guardas de fronteira ucranianos tinham estimado anteriormente que pelo menos dez helicópteros russos haviam ingressado na Crimeia, sendo que apenas três tinham sido autorizados por Kiev. Testemunhas também disseram ter visto nesta sexta-feira à noite uma movimentação de veículos de transportes de tropas não identificados na estrada que liga Sebastopol a Simferopol, assim como a aterrissagem de vários aviões de carga militares em um aeroporto militar perto de Simferopol.

Parlamento – Centenas de milicianos pró-Rússia estavam reunidos nesta sexta-feira nas proximidades do Parlamento da República Autônoma da Crimeia, em Simferopol, onde a bandeira russa foi hasteada. Reunidos a portas fechadas, os deputados do Parlamento da Crimeia votaram na quinta-feira pela realização de um referendo no dia 25 de maio para dar mais autonomia à Crimeia.

Os eventos na região no sul da Ucrânia expõem a crescente ameaça de separatismo decorrente das tensões envolvendo o novo governo ucraniano e a Rússia. Nesta semana, as Forças Armadas russas deslocaram aviões e tropas para patrulhar a fronteira com a Ucrânia – uma demonstração de força por parte do presidente Vladimir Putin. A Rússia também garantiu abrigo ao ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich, foragido após ser acusado de ordenar o assassinato em massa de cidadãos nos violentos protestos da semana passada. Segundo balanço oficial, 82 pessoas morreram.

ONU – Também nesta sexta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez uma reunião a portas fechadas para examinar a situação na Ucrânia. A reunião foi convocada pela Lituânia, que exerce a presidência rotativa do organismo, a pedido de Kiev. Segundo fontes diplomáticas, os embaixadores dos 15 países-membros ouviram relatos do embaixador da Ucrânia na ONU, Iuri Sergueyev, e de um representante da secretaria-geral das Nações Unidas. Ao término do encontro, Sergueyev disse à imprensa que o aumento da presença militar russa na Crimeia representa “um desafio para a segurança e para a paz da região e um desafio para a integridade territorial” de seu país.

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