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O tema que mais tira o sono do mundo e do Brasil, segundo novo relatório Ipsos

Levantamento 'What Worries the World' revela crises locais, mas sobretudo mostra que população global se sente cada vez mais insegura nas ruas

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jul 2026, 14h12
O tema que mais tira o sono do mundo e do Brasil, segundo novo relatório Ipsos Priorizar nos meus resultados Google

O mais recente relatório What Worries the World, publicado pela Ipsos nesta segunda-feira, 27, revela um planeta em compasso de espera, onde o índice de otimismo global, daqueles que acham que as nações estão no “rumo certo”, estagnou na casa dos 38%. E apesar do levantamento mostrar uma série de crises regionais, lá no topo do pódio das preocupações que mais tiram o sono do mundo, em julho de 2026, está o crime e violência (32%), tendência que se repete também no Brasil.

Em alguns países, o tema ganha força devido a realidades locais, mas é considerado pelo relatório uma questão estrutural que permanece no centro da agenda nacional por ser um problema crônico que não perde relevância.

Além disso, o levantamento aponta variações regionais drásticas que refletem crises locais. Na França, o maior salto do mês foi registrado pela preocupação com as mudanças climáticas, que avançou 14 pontos percentuais, atingindo 33% — um reflexo direto das ondas de calor extremo no verão europeu. Já nos Estados Unidos, a inflação corrói o humor social, sendo citada por 46% dos americanos, o que coloca o país com a segunda pior percepção de rumo das Américas, atrás apenas do Peru.

Na vizinha Argentina, o cenário é ainda mais dramático: o desemprego é a maior preocupação de 60% da população. A corrupção também voltou a ganhar terreno no país (33%), impulsionada por escândalos políticos recentes na Casa Rosada de Javier Milei.

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Acomodação e o ‘peso no bolso’ no Brasil

No Brasil, o relatório de julho mostra uma leve redução na intensidade das principais dores de cabeça da população, embora a ordem de prioridades permaneça inalterada. O crime e a violência seguem no topo, preocupando 43% dos brasileiros, seguidos pela corrupção (36%) e saúde (35%).

Diego Pagura, CEO da Ipsos no Brasil, observa que o momento é de estabilização. “O movimento sugere uma acomodação das preocupações observadas nos meses anteriores, sem que isso represente uma mudança significativa na agenda de temas considerados prioritários pelos brasileiros”, explica o executivo.

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Apesar dessa “acomodação” nos temas estruturais, Pagura destaca uma tendência de alta em questões pragmáticas: “Enquanto os temas estruturais perdem um pouco de tração, preocupações mais pragmáticas ligadas ao bolso apresentaram leves altas, como impostos (30%), inflação (24%) e desemprego (19%)”.

Outros dados relevantes sobre o Brasil incluem:

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  • Rumo do país: 39% acreditam que o Brasil está na direção certa, uma queda de 3 pontos em relação a junho, mas ainda 5 pontos acima do registrado há um ano;
  • Economia: a percepção negativa ainda impera, com 65% dos brasileiros classificando a situação econômica atual como “ruim”;
  • Estabilidade: mesmo com o recuo de 4 pontos no mês, a liderança do medo do crime é persistente, estando 2 pontos acima do patamar registrado há exatamente um ano.

Em suma, não dá outra: a poucos meses das eleições presidenciais, custo de vida e segurança pública continuam sendo os pilares centrais da insatisfação nacional.

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