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O jogo virou: México barra entrada de americanos devido à Covid-19

Cidades que fazem fronteira com estados como Califórnia e Arizona, que registram recordes diários de infecções, criam barreiras sanitárias contra turistas

Por Da Redação - Atualizado em 8 jul 2020, 19h41 - Publicado em 8 jul 2020, 15h35

Cidades do México que fazem fronteira com os Estados Unidos bloquearam estradas para a entrada de americanos durante o fim de semana do 4 de Julho, e anunciaram nesta quara-feira, 8, que planejam repetir a medida nesta semana. Em sua campanha presidencial, Donald Trump alardeou a construção de um “grande e belo muro” que barraria a entrada de mexicanos em seu país, mas a alta de casos de coronavírus nos Estados Unidos fez com que o jogo virasse.

Durante o fim de semana do feriado da independência americana, o governo de Sonora, na fronteira com o Arizona, montou postos de controle, barrando turistas e outras pessoas cujas viagens foram consideradas como “não essenciais” – proibidas até o dia 21 de julho.

Além disso, o jornal britânico The Guardian reporta que os habitantes usaram seus próprios veículos para bloquear a estrada que conduz a Puerto Peñasco, uma cidade litorânea no mar de Cortés, popular entre os turistas americanos.

“Convidamos turistas americanos a não visitar o México”, disse José Ramos Arzate, prefeito de Sonora. “Concordamos em salvaguardar a saúde de nossa comunidade diante de uma taxa acelerada de contágio da Covid-19 no estado vizinho do Arizona”.

Outros estados também criaram estações de controle de saúde. Uma “barreira sanitária” em Mexicali causou um trânsito de mais de oito horas na fronteira em Calexico, Califórnia.

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Os casos de coronavírus aumentaram em vários estados fronteiriços dos Estados Unidos, como Arizona, Califórnia e Texas, que fracassaram nas tentativas de reabertura. Nesta terça-feira 7, o Arizona registrou mais 3.653 de novos casos e 117 mortes. O número de infecções é mais baixo que o recorde de 4.877 no dia 1º de julho, mas ainda é considerado alto em relação à taxa de testes positivos, de 35%.

O departamento de saúde do estado disse que o número de hospitalizados com Covid-19 continua aumentando. Mais 84 pessoas foram internadas, elevando o total para 5.272. A Califórnia registrou um aumento recorde de 11.529 novos casos. Esse é o segundo maior registro diário de infecções, atrás apenas de  Nova York em 15 de abril, com 11.571 casos.

Também na terça-feira, o Texas relatou um aumento recorde de 10.028 novos casos de coronavírus, tornando-se o quarto estado a registrar um salto de mais de 10.000 em 24h. Apesar dos dados que mostram um crescimento descontrolado nos números de casos nos Estados Unidos, Trump tentou culpar o México pelos surtos em seu país, afirmando que Tijuana estava “fortemente infectada pela Covid-19”.

O México, contudo, não se destacou positivamente no combate à pandemia. Como Trump, o presidente Andréz Manuel López Obrador ignorou os conselhos sobre o uso de máscaras e minimizou o coronavírus, com 268.000 casos confirmados e 32.000 mortes – sendo que o programa de testagem do país é ainda menos amplo que o americano, o que provocou especulações de que a escala da pandemia está subestimada.

AMLO, por exemplo, fez seu primeiro teste de coronavírus apenas nesta semana, em meio aos preparativos para sua visita aos Estados Unidos, para comemorar o novo acordo comercial entre os dois países e o Canadá (apelidado de “NAFTA 2.0”).

Mesmo assim, os estados mexicanos próximos à fronteira com os Estados Unidos estão preocupados com o crescente fluxo de turistas americanos e pediram ao governo federal para impor restrições. “É muito importante implementar as medidas necessárias para proteger a saúde em Sonora. E uma delas, neste momento, é reduzir os cruzamentos da fronteira dos Estados Unidos para o México”, disse o secretário de saúde do estado de Sonora, Enrique Clausen, no início deste mês.

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