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O inverno dos deuses: monumentos da Grécia ficam cobertos de neve

Em decorrência da mais intensa tempestade do gênero em vinte anos no país, a temperatura despencou

Por Caio Saad Atualizado em 18 fev 2021, 12h52 - Publicado em 19 fev 2021, 06h00

Como por um sopro de Éolo, o guardião dos ventos na mitologia grega, camadas de neve cobriram de branco as pedras seculares do Partenon, o templo de Atenas, mais vistoso alvo da nevasca que levou ao caos algumas regiões da ensolarada Grécia com a força impiedosa dos atos divinos. Em decorrência da mais intensa tempestade do gênero em vinte anos no país, a temperatura despencou — chegou a marcar 19 graus negativos no Norte — e, na capital, as Forças Armadas foram convocadas para, usando serras elétricas, remover mais de 800 árvores caídas que danificavam as redes de energia e bloqueavam passagens. Enquanto o ar gélido congelava cálidos balneários em torno do Mediterrâneo, um outro fenômeno, batizado de “surto ártico”, se abatia sobre os Estados Unidos, fazendo cair neve onde ela não era vista, em certos casos, havia um século. No usualmente escaldante Texas e em outros estados do Sul, milhões ficaram sem energia elétrica devido ao congelamento de equipamentos e à imensa demanda por aquecimento em locais despreparados para o frio intenso. Ao menos trinta pessoas morreram e os serviços meteorológicos preveem que a situação piore antes de melhorar, com nova frente gelada se espalhando do sul para o noroeste. Foi a segunda onda de frio muito acima do esperado, tanto na Europa quanto no território americano, em poucas semanas — sinal inequívoco da crescente ferocidade das mudanças climáticas às quais uma parte da humanidade insiste em fechar os olhos.

Publicado em VEJA de 24 de fevereiro de 2021, edição nº 2726

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