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O homem e seu topete

Minha conversa com Donald Trump no coração do império dourado

Por Monica Weinberg - Atualizado em 11 nov 2016, 00h09 - Publicado em 10 nov 2016, 16h44

Subir ao 26º andar do Trump Tower em Nova York é como entrar em um parque temático cujo assunto, único e soberano, é Donald Trump, o senhor do edifício de Manhattan que dá o toque dourado à Quinta Avenida. A primeira imagem que se vislumbra lá de cima é o retângulo verde do Central Park. O anfitrião chegou com o topete em riste, o sorriso fixo, o peito estufado: “Gostou? Tenho a melhor vista de Nova York!” O mármore cor de rosa que cobre as paredes do prédio também é o melhor, explicou. Foi escolhido a dedo por ele, em viagem a Itália. “Olhei, amei, mandei vir de lá.” Por nada lembrava o nome da cidade italiana onde comprou as pedras.

Esse foi só o começo do passeio pela Disney de Trump, que fiz em 19 de fevereiro de 2014, para uma entrevista de Páginas Amarelas de VEJA. Cercado de assessores, ele me conduziu a seu escritório cheio de bibelôs com histórias. O capacete foi dado pelo astro do futebol americano Tom Brady (Trump jura que teve seu voto; Gisele Bündchen, a esposa, não confirma). O cinto é de Mike Tyson, o “maior”, ele define. Conhecido pela obsessão em ter as mãos limpas – em entrevista a Larry King apertou a mão do apresentador e depois pediu uma toalha – ele não pareceu muito incomodado ao manusear um tênis tamanho família do ex-astro da NBA Shaquille O’Neal.

Mas o melhor, melhor mesmo, está nas paredes. Tema da exposição? Donald Trump. Capas e capas de revista exibem o dono da sala em etapas diferentes: o começo como construtor de arranha-céus; o começo, o meio e o fim como celebridade. “Supero qualquer supermodelo”, gabou-se. De todas as capas, sua preferida é aquela em que posou para a Playboy, bem mais topetudo aos 43 anos do que aos 70. “O engraçado é que, mesmo sendo um homem na capa, essa foi uma das edições que mais venderam em toda a história da revista”, falou. Será que faria sucesso hoje?

Sim, claro. À época da entrevista a VEJA, estava à frente do programa O Aprendiz. Contou que era só descer os vinte e seis andares que o separavam da rua para causar alvoroço em um dos pontos mais pulsantes de Manhattan. “I lo-ve” (pronunciava assim mesmo, enrolando a língua e enfatizando cada sílaba). Além de popularidade, dinheiro e poder, listou, o programa lhe trazia a admiração das mulheres – “as do Brasil são deslumbrantes”. Calma aí! O homem que coleciona duas separações barulhentas e outros tantos enroscos parou e teve um momento: “Não quero problema para o meu lado…” Lembrou-se subitamente da ex-modelo eslovena e agora primeira-dama Melanie Trump, 46 anos, com quem está casado desde 2005. Trocam ideias em inglês. “Não sei uma palavra de esloveno”, gargalhou.

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Admirando Nova York do topo, ele já falava, naquele fevereiro de 2014, do sonho-mor: a Casa Branca, “um lugar especial” e …. “um lugar especial”. Terá de ficar mais longe agora do mármore cor de rosa de que tanto gosta, dos dourados que emolduram suas janelas e da penthouse onde vive com Melanie e Barron, o filho de 10 anos, nos três andares que coroam o Trump Tower, um ícone do capitalismo nos anos 80. Estilo do apartamento? Louis XIV, o monarca francês que se auto apelidou “Rei Sol” e dizia: “O Estado sou eu.”

Ao fim de uma hora de entrevista, Trump, diante da dúvida sobre a autenticidade de seu topete, desafiou: “Quer puxar?” Puxei. Pareceu firme. Em seguida, posou com a sua vista ao fundo, despediu-se com um aperto de mão (nenhuma toalha à vista) e deixou todos os dentes à mostra em sorriso largo. Já no térreo, uma pequena Trump Store vendia camisas e gravatas com sua grife. Em destaque na prateleira, A Arte de Fazer Negócios, que ele escreveu e mantém na cabeceira. É o único livro que realmente lhe prende a atenção.

Fim do tour.

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