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O corte de juros anima as bolsas. Pode durar pouco

Por Giancarlo Lepiani - 19 mar 2008, 07h10

O corte de juros anunciado na terça-feira pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, animou as bolsas de valores de todo o mundo. Depois do fechamento em alta nos EUA e no Brasil — a Bovespa inverteu tendência de queda dos últimos dois dias e fechou em alta de 3,20% –, a Ásia e a Europa também sinalizaram uma reação positiva à medida nesta quarta-feira. O otimismo, porém, pode durar pouco. Para os economistas, uma nova reviravolta é provável, já que a situação ainda é muito negativa.

“A economia americana continua mostrando sinais de recessão, e o mercado de crédito continua abalado”, disse Alvin Liew, economista do Standard Chartered Bank, em entrevista à agência de notícias France Presse. Segundo ele, os ganhos registrados entre terça e quarta podem ter vida curta. Ainda assim, o Fed foi elogiado pela ação de terça. “Os investidores, que já esperavam um efeito dominó nos grandes bancos de investimento, estão felizes”, disse Won Jong-Hyuck, analista da SK Securities de Seul.

Na capital da Coréia do Sul, a bolsa local fechou em alta de 2,1%, seguindo tendência observada em toda a Ásia. Tóquio fechou em alta de 2,5%, a mesma alta registrada em Xangai. Em Hong Kong, a alta foi de 2,9%. O otimismo, contudo, foi discreto. “Primeiro, os investidores comemoraram o que aconteceu nos EUA. Mas a cautela estava no ar no fim do pregão”, disse o analista sul-coreano Lee Woo-Hyun. “Os mais pessimistas temem que a euforia inicial será esquecida novamente dentro de pouco tempo.”

Expectativa – Na Europa, o início do pregão desta quarta foi marcado por fortes altas nos principais índices. Horas depois, contudo, as bolsas de Londres, Frankfurt e Paris já davam sinais preocupantes, com perdas nas ações dos grandes bancos e temor de novas quedas. A expectativa era pela abertura das bolsas americanas. Os analistas mais otimistas acreditam que a resposta será positiva, pelo menos a curto prazo. O principal motivo seria a avaliação positiva do trabalho do chefão do Fed, Ben Bernanke.

“As pessoas estão começando a perceber que o Fed é capaz de lidar com essa crise, e que eventualmente sairemos dela”, acredita Howard Gorges, o vice-presidente da South China Securities, de Hong Kong. Além da redução dos juros americanos, outra boa notícia nos EUA foi a divulgação dos resultados dos bancos Lehman Brothers e Goldman Sachs. Os lucros caíram, mas o balanço de ambos foi melhor do que o previsto. O temor era de quebra do Lehman — o que provocaria uma nova onda de pânico.

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