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‘O Conselho de Direitos Humanos é obcecado por Israel’

Porta-voz do governo critica o órgão da ONU, que aprovou investigação sobre o impacto dos assentamentos judaicos

Por Cecília Araújo
28 mar 2012, 15h42

“Nós não vamos continuar fazendo parte desse jogo. Se o outro time não respeita as regras e se o árbitro é sempre a favor dele, não há por que cooperar.”

Yigal Palmor, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel

Israel se sente perseguido pelo Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU – sensação que se aprofundou após a aprovação de uma investigação sobre o impacto dos assentamentos judaicos nos territórios palestinos -, revela, em entrevista ao site de VEJA, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores israelense, Yigal Palmor. Por essa razão, o responsável pela pasta, Avigdor Lieberman, decidiu romper relações com o órgão, conforme anúncio feito na segunda-feira – quando adiantou que não será permitida a entrada de uma comissão que deveria avaliar as colônias.

Segundo Palmor, desde 2006, quando o CDH foi restabelecido, seus membros fizeram, no total, mais de 80 condenações – e 46 delas foram destinadas a Israel. “A Síria, por exemplo, recebeu apenas cinco condenações, e o Irã, duas! Está mais do que claro que esse conselho é disfuncional e não é regido por regra alguma”, diz.

Para Palmor, a posição de Israel sempre foi desconsiderada pelo órgão, e esta última decisão foi a “gota d’água”. “Já chega. O Conselho de Direitos Humanos da ONU é completamente obcecado por Israel, e ninguém vai – ou parece querer – mudar isso”, afirma. “Nós não vamos continuar fazendo parte desse jogo. Se o outro time não respeita as regras e se o árbitro é sempre a favor dele, não há por que cooperar.”

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O caso pode interferir nas negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina, acrescenta o porta-voz. “Tal decisão atrapalha todo o processo político. As conversas diretas e bilaterais entre israelenses e palestinos deveriam ser levadas em consideração. Essas intermináveis discussões na ONU não levam a lugar algum, pois a solução só pode ser alcançada depois de um acordo entre os dois lados”, diz. “Não adianta o Brasil ou os Estados Unidos acharem uma solução para os nossos desentendimentos se os dois lados não concordarem com ela. Isso só aumentará a tensão.”

O porta-voz enfatiza que o posicionamento da ONU pode estimular os palestinos a congelarem os diálogos. “Isso pode ser exatamente o que os palestinos querem, já que se recusam a voltar à mesa de diálogo. Mas por que o Conselho de Direitos Humanos os ajuda a fazer isso? Ele deveria incentivar os palestinos a negociar.”

Yigal Palmor nega que as colônias judaicas sejam um obstáculo para se chegar a um acordo. “São apenas mais uma desculpa para os palestinos se recusarem a negociar. Por terem apoio de alguns membros da comunidade internacional, interpretam que podem colocar mais e mais pré-condições para o diálogo”, afirma. “Os palestinos podem não estar satisfeitos, mas não têm o direito de pedir que todos os seus desejos sejam cumpridos antes mesmo de começar a negociar. Também poderíamos colocar o fim total do terrorismo como uma pré-condição para sentarmos à mesa de diálogo – o que também seria um absurdo.”

Laura Dupuy Lasserre, presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU
Laura Dupuy Lasserre, presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU (VEJA)
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O que diz o Conselho de Direitos Humanos da ONU

Laura Dupuy Lasserre

Presidente

“Li diversas reportagens (sobre o rompimento de Israel com o Conselho) citando as autoridades israelenses, embora não tenha recebido a confirmação oficial dessa decisão. Se for mesmo verdade, será lamentável. A resolução que prevê investigações sobre o impacto das colônias judaicas em território palestino ocupado recebeu apoio generalizado, com apenas um estado membro contra. Isso mostra a preocupação internacional com a expansão dos assentamentos israelenses. Não tenho dúvidas de que é do interesse de Israel cooperar com o Conselho nesta missão, mesmo que seja para explicar suas próprias políticas e ações à comissão independente. O Conselho sempre valorizou muito a participação de Israel, que teve um papel bem construtivo em sua Revisão Periódica Universal (instrumento para acompanhamento da implementação dos direitos humanos pelos estados membros da ONU). Além disso, em diversas ocasiões o país contribuiu para o trabalho do Conselho, em debates sobre outros países, como Síria e Líbia.”

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