O brasileiro que venceu governo Trump em processo por green card e pode ajudar 75 países
Newton de Moura Gomes e sua família, do Rio de Janeiro, tiveram visto obtido por programa de investidor congelado por decisão de Marco Rubio
Na semana passada, uma juíza federal anulou a moratória da emissão de vistos para residência permanente nos Estados Unidos, uma restrição que estava em vigor desde janeiro e atingia cidadãos do Brasil e outros 74 países. Foi o primeiro caso a vencer uma batalha judicial contra a medida — e por trás do qual estava uma família brasileira.
O empresário carioca Newton de Moura Gomes, 60, em parceria com a esposa Marcia, 58, e duas das suas três filhas, processou o Departamento de Estado depois que a decisão do secretário Marco Rubio em congelar as emissões interrompeu o processamento de seu pedido de visto de imigrante por meio do programa EB-5 para investidores.
O Departamento de Estado alegou que os requerentes desses 75 países (em sua maioria, na América Latina, Caribe, Bálcãs, sul da Ásia, África e Oriente Médio) apresentavam “alto risco de se tornarem um ônus público e de recorrerem a recursos governamentais locais, estaduais e federais nos Estados Unidos”. Ou seja, o governo Trump acusava tais nacionalidades de, após serem admitidas no país, terem probabilidade de se tornar primariamente dependentes do governo americano para sua subsistência.
A queixa, apresentada em maio, alegava diversas violações da Lei de Procedimento Administrativo, que desde 1946 estabelece as regras sobre como agências governamentais dos Estados Unidos elaboram regulamentos, lidam com disputas jurídicas e permitem que o público tenha acesso a registros. A juíza federal Jeannette Vargas, de Nova York, concordou com os argumentos.
“A Política (de Ônus Público), que proíbe categoricamente a emissão de vistos de imigrante com base na nacionalidade do requerente, representa uma violação direta desse sistema legal”, escreveu ela em sua decisão na sexta-feira 21.
Em comunicado, o advogado da família Moura Gomes, Edward Ramos, afirmou que a política do Departamento de Estado é flagrantemente ilegal e fundamentalmente injusta.
“Estamos satisfeitos que o Tribunal tenha reconhecido que o Departamento de Estado não pode exigir uma análise individualizada e, em seguida, determinar a recusa independentemente do resultado”, disse ele. “O Congresso confiou as decisões sobre vistos aos oficiais consulares, para que aplicassem a lei a cada caso. Essa política retirou deles esse poder de julgamento e predeterminou o desfecho.”
A família Moura Gomes
Empresário de sucesso nos setores de televisão a cabo e telecomunicações, Newton realizou, em dezembro de 2018, um investimento de US$ 500 mil (aproximadamente R$ 2,6 milhões, na cotação atual) voltado para o desenvolvimento e a operação de um hotel no estado de Arizona. Esse aporte financeiro o qualificou para pleitear um visto de residência permanente na categoria EB-5, destinada a estrangeiros que geram empregos na economia americana. Sua esposa e as duas filhas mais novas são beneficiárias derivadas de sua petição de visto.
No processo, os advogados da família também destacaram que Newton foi diagnosticado, em 2014, com carcinoma adenóide cístico, um tipo raro de câncer. Oito anos depois, veio outro tumor — orofaringe metastático de estágio 4, com propagação para os pulmões. A condição clínica, descrita pela família como terminal e incurável, aumentou a importância resolver assuntos pendentes de planejamento familiar e de imigração o quanto antes, algo destacado, também, pelo oncologista de Newton.
A família aguarda o desfecho de seu processo de visto há mais de seis anos desde que deu entrada na petição inicial. Em 17 de dezembro de 2025, a família passou por entrevista no consulado geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, quando o pedido foi retido temporariamente em processamento administrativo por falta de documentos, que foram fornecidos quatro meses depois — incluindo comprovações financeiras para demonstrar que não dependeriam de recursos públicos.
Em maio, ao cobrar um posicionamento oficial, a família recebeu uma resposta padrão dos serviços consulares justificando o congelamento pela nova política do Departamento de Estado, o que os levou a processar o governo no fim daquele mês.







