Número recorde de imigrantes atravessa Canal da Mancha em direção ao Reino Unido
Mais de 20 crianças estavam entre os passageiros a bordo de um único bote inflável
Pelo menos 230 migrantes atravessaram o Canal da Mancha em direção ao Reino Unido a bordo de um bote inflável nas primeiras horas desta segunda-feira, 10. O número é o maior já registrado em uma única embarcação nesta rota migratória, segundo autoridades francesas.
A embarcação inflável deixou a costa nordeste da França na noite de domingo. Entre os passageiros estavam mais de 20 crianças, de acordo com o serviço francês de salvamento marítimo SNSM.
O Ministério do Interior britânico condenou “as táticas imprudentes e perigosas empregadas pelas organizações criminosas que facilitam essas travessias”. Já o porta-voz do primeiro-ministro Andy Burnham classificou como “chocantes as imagens terríveis (…) de bebês sendo colocados nessas embarcações sem condições de navegar”.
O recorde anterior havia sido estabelecido em 23 de julho, quando 165 pessoas chegaram ao território britânico a bordo de um mesmo bote. Em 12 de julho, outra embarcação havia transportado 128 migrantes.
Questão migratória
A chegada dos migrantes ao Reino Unido ocorre em meio ao aumento do uso de barcos superlotados para atravessar a via aquática que liga o Reino Unido à França. Segundo autoridades francesas, antes de um acidente ocorrido na semana passada, quando um bote que transportava 173 pessoas virou depois que seu motor pegou fogo, nove embarcações de grande porte haviam cruzado a rota marítima neste ano. Os chamados “mega-botes” passaram a transportar mais de 100 pessoas, enquanto embarcações menores costumavam levar entre 50 e 60 passageiros.
Apesar do aumento no tamanho das embarcações, o número total de pessoas que cruzaram o Canal neste ano caiu mais de 40% em relação ao mesmo período de 2025. O governo britânico atribui a redução ao reforço da fiscalização nas praias do norte da França e a medidas adotadas em parceria com outros países europeus.
Organizações de apoio a refugiados, porém, afirmam que as medidas de contenção não eliminam as tentativas de travessia. Para esses grupos, a falta de rotas seguras faz com que migrantes continuem recorrendo a viagens cada vez mais arriscadas.







