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Número de mortos se aproxima de 2.000 com o início da distribuição em massa de água e alimentos

Região de La Guaira foi devassada por dois terremotos na última quarta-feira

Por Santiago Martínez, de La Guaira 28 jun 2026, 09h36 | Atualizado em 28 jun 2026, 09h36
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O governo venezuelano confirmou a distribuição de 2.600 toneladas de alimentos e água potável no estado de La Guaira, a área mais atingida pelos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorridos na tarde da última quarta-feira. Na região de La Guaira, a mais afetada pelos tremores de terra, militares tomaram a área e restringiram o acesso da população. Essa restrição foi imposta após o trânsito na região ficar paralisado na última sexta-feira, 26, devido ao grande fluxo de veículos particulares que chegavam para entregar ajuda humanitária, coincidindo com apelos desesperados por socorro por parte dos afetados.

Os suprimentos já distribuídos atenderam cerca de 60.000 famílias vítimas da tragédia, a maioria das quais ficou desabrigada devido ao desabamento de suas casas. A situação no país vizinho é de penúria, com saques a supermercados, famílias em busca de desaparecidos e ajuda internacional, inclusive do Brasil, ainda considerada desafiadora. Até o momento, informou a presidente interina do país Delcy Rodríguez, 24 países enviaram ajuda humanitária aos venezuelanos, sendo foram 521 toneladas de suprimentos, 86 cães farejadores para atuar do resgaste a vítimas sob os escombros e mais de 2.700 homens e mulheres para auxiliar nas buscas.

Desde a madrugada deste domingo, 28, as autoridades divulgam imagens por meio de canais oficiais mostrando o emprego de maquinário pesado em La Guaira para auxiliar na remoção de escombros das dezenas de edifícios e estruturas derrubados pelos terremotos.

O esforço reforça o trabalho dos socorristas internacionais que atuam no local auxiliando as vítimas, ao lado de milhares de venezuelanos que se voluntariaram para as operações de resgate nas áreas atingidas.

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Os dados oficiais mais recentes indicam 1.430 mortos, além de mais de 3.200 feridos e 3.142 famílias desabrigadas.

O histórico de terremotos na Venezuela

A Venezuela, localizada onde a Placa do Caribe encontra a Placa Sul-Americana, tem um longo e trágico histórico de terremotos. Um dos maiores foi registrado em 1812, durante a Guerra da Independência. O tremor, estimado entre 7,5 e 7,7, destruiu Caracas e impossibilitou que fosse utilizada como centro administrativo e logístico. Mérida, no noroeste do país, também foi duramente atingida. Ao menos 30 mil morreram, de acordo com dados do USGS.

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Já em 1900, um terremoto de San Narisco, como ficou conhecido, deixou 21 mortos e danificou edifícios na capital e em regiões próximas. Anos mais tarde, em 1929, outro causou um tsunami que destruiu a cidade de Cunamá, no nordeste da Venezuela, e causou 800 mortes. O epicentro foi no Mar do Caribe. Um sismo de magnitude 6,8 atingiu El Tocuyo, no centro-oeste, deixou 100 vítimas 21 anos depois.

Em 1967, um tremor de 6,8 voltou a assolar Caracas, derrubando prédios altos. Mais de 200 morreram no incidente, que levou o governo venezuelano a adotar novos protocolos para desastres — hoje considerados insuficientes. O próximo terremoto aconteceria em 1997, com 21 mortos, cerca de 500 feridos e 3 mil desabrigados. Também causou rupturas no solo pela liberação de tensão da falha de El Pilar.

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Após a virada do milênio, três foram registrados: em 2018, com cinco mortos e 120 feridos em Caracas e na região leste da Venezuela; em 2025, quando uma pessoa morreu após 189 eventos sísmicos danificarem infraestruturas essenciais, como hospitais e serviços elétricos; e, agora, em 2026.

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