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Número de mortos pelo tufão Nesat sobe para oito

Há pelo menos 4 desaparecidos e centenas de milhares estão desabrigados

Ao menos oito pessoas morreram e centenas de milhares tiveram que abandonar suas casas por conta das chuvas e das inundações provocadas pela passagem do tufão Nesat pelas Filipinas nesta terça-feira. Quatro das vítimas são crianças, uma delas um bebê de menos de 2 anos que morreu afogado após cair em um rio transbordado na província de Catanduanes, no leste do país, segundo o Centro Nacional de Prevenção de Desastres.

A rádio filipina informou também a morte de uma avó e três de seus netos dentro de sua casa quando uma árvore caiu sobre a construção, localizada em uma favela em Manila. Outras duas pessoas morreram atingidas por árvores derrubadas pelo vento, uma na província de Pampanga, ao norte de Manila, e outra na vizinha província de Zambales, onde também morreu um jovem de 19 anos em um desmoronamento. Quatro pescadores foram declarados desaparecidos no leste da ilha de Luzon, a principal do norte das Filipinas e onde o Nesat deixou um rastro de destruição.

O tufão, batizado pelos filipinos como Pedring, penetrou no país antes do amanhecer com ventos sustentados de 140 km/h e rajadas de até 170 km/h, segundo o serviço filipino de meteorologia (Pagasa). “Este tufão é muito largo, de cerca de 650 quilômetros, e cobre a maior parte de Luzon”, afirmou o secretário de Ciência e Tecnologia, Graciano Yumul.

As escolas estão fechadas desde segunda-feira e os organismos oficiais, com exceção dos envolvidos nas operações de resgate e assistência aos desabrigados, foram fechados nesta manhã. O tufão deixou mais de 1,9 milhão de casas sem eletricidade em todo o país e instaurou o caos na capital, Manila, onde o trânsito se tornou impossível em alguns locais pela acumulação de água, as árvores caídas e os escombros de construções derrubadas pelos ventos.

Enchentes – A populosa cidade de mais de 12 milhões de habitantes estava praticamente deserta, castigada pelos fortes ventos e as intensas chuvas, quase sem transporte público e com a maior parte dos estabelecimentos fechados. Algumas ruas próximas à baía estavam completamente alagadas, incluindo o luxuoso hotel Sofitel, no qual a água chegava até a cintura dos hóspedes, segundo informaram vários meios de comunicação filipinos. Os funcionários da embaixada americana, situada nessa mesma área, foram retirados depois que a água penetrou nos escritórios.

Os habitantes das regiões carentes próximas ao mar tiveram que abandonar suas casas por conta das enchentes e o impacto das ondas, assim como os que vivem nas margens do rio Marikina, cujo leito alcançou 18 metros de altura fora da capital e transbordou em vários trechos. As autoridades também enfrentaram o problema do transbordamento nas represas que abastecem Manila e determinaram a liberação da água, o que contribuiu para as graves inundações.

O temporal causou grandes danos na agricultura, mas as estimativas dos prejuízos apenas começarão a ser contabilizadas nos próximos dias, quando a situação tiver se normalizado. Segundo o serviço de meteorologia, o tufão se afastará pelo Mar da China Meridional na quarta-feira.

Tragédia anterior – A presença de Nesat trouxe de volta o fantasma da tragédia causada há dois anos pela tempestade tropical Ketsana e o tufão Parma, que arrasaram a parte norte do país e deixaram mais de mil mortos e inúmeros danos nas infraestruturas nas piores inundações em quatro décadas.

Entre 15 a 20 tufões passam pelas Filipinas a cada ano durante a estação chuvosa que, geralmente, começa em maio e termina em novembro. Os especialistas das agências internacionais indicam a favelização como o fator responsável pelo grande número de vítimas que os desastres naturais causam nas Filipinas, e que evidencia o péssimo estado das infraestruturas.

(Com agência EFE)