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Número de mortos no Nepal e Tibete chega a 160; veja causas da inundação relâmpago

Avalanche de lama sobre um rio na fronteira provocou enchentes catastróficas que engoliram casas, estradas e pontes

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 ago 2026, 15h09 | Atualizado em 26 ago 2026, 15h14
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Ao menos 160 pessoas morreram na avalanche de lama sobre um rio na fronteira do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete chinês, nesta quarta-feira, 26, provocando enchentes catastróficas que engoliram casas, estradas e pontes. Dessas vítimas, 157 já tiveram os corpos recuperados, segundo os dados mais recentes, mas centenas ainda estão desaparecidas.

Do outro lado da divisa, um deslizamento de terra atingiu o Porto de Gyirong, importante passagem terrestre para o território tibetano, bloqueando vias, causando um apagão nas telecomunicações e interrompendo o fornecimento de energia para a região.

Dezenas de pessoas também ficaram feridas e mais de 380 turistas, incluindo 291 estrangeiros que estavam na área conhecida por suas rotas de peregrinação hindu, são dados como desaparecidos.

Qual foi o gatilho da tragédia?

O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, confirmou as suspeitas de que um terremoto provocou uma avalanche de gelo e rochas no Himalaia, a qual, por sua vez, provocou uma cheia repentina no rio Lhende Khola, que atravessa tanto o Nepal quanto o Tibete. Em seguida, vieram as enchentes relâmpago nos vales abaixo.

Enquanto isso, a agência de notícias estatal chinesa Xinhua informou que os danos em solo tibetano estão conectados a um deslizamento de terra ocorrido no lado nepalês das montanhas. O dano se estendeu até o condado de Gyirong, no Tibete.

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Autoridades no Nepal alertaram que uma segunda inundação pode ocorrer, uma vez que o rio Lhende Khola segue obstruído. Alertas de inundação também foram emitidos nos estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh, que fazem fronteira com o Nepal, visto que vários rios descem do Himalaia em direção às suas planícies.

“O rio Lhende Khola transbordou duas vezes em quatorze meses; desta vez, o evento foi desencadeado por uma avalanche de gelo e rocha proveniente de uma geleira no lado nepalês, que bloqueou o rio e liberou uma onda repentina de água rio abaixo”, disse Saswata Sanyal, especialista do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), em Katmandu. “Em um Himalaia que sofre com o aquecimento global, a primeira linha de defesa é o alerta precoce”, acrescentou ele.

A região do Himalaia, que abrange o Nepal e vários países vizinhos, é particularmente vulnerável a chuvas fortes, inundações e deslizamentos de terra, pois está aquecendo mais rapidamente do que o restante do mundo devido às mudanças climáticas causadas pela ação humana. Pesquisas indicam que eventos climáticos extremos, como ondas de calor e tempestades intensas, bem como o derretimento de geleiras, têm se tornado mais frequentes na região.

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Cientistas em Katmandu constataram, no início deste ano, que as geleiras em toda a região do Himalaia Hindu Kush estão derretendo em ritmo acelerado; as taxas de perda de gelo dobraram desde o ano 2000, principalmente devido ao aumento das temperaturas globais e às mudanças climáticas.

Operações de resgate

Moradores de áreas baixas estão sendo transferidos para locais mais seguros, e aqueles que vivem ao longo do rio foram aconselhados a permanecer em alerta. O Exército do Nepal anunciou a mobilização de 14 helicópteros e equipes de resgate para apoiar os trabalhos, mas o terreno montanhoso do país, repleto de vales profundos e desfiladeiros estreitos, torna desafiadoras as operações. De acordo com a agência de notícias Reuters, os helicópteros não conseguiram pousar nas áreas afetadas de Syapru Besi e Timure.

A agência de notícias estatal Xinhua acrescentou que o presidente da China, Xi Jinping, ordenou “mobilizar todos os recursos” para as operações de resgate, mas não divulgou um balanço de mortos ou feridos.

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Xi afirmou que “a tarefa mais urgente é fazer todo o possível para encontrar e resgatar os desaparecidos”, assim como “atender rapidamente os feridos e reduzir ao mínimo o número de vítimas”, segundo a CCTV. A China enviou pelo menos 574 socorristas para a região onde fica o Porto de Gyirong, mas os sedimentos decorrentes do deslizamento representam um desafio para as operações.

Outros países também ofereceram ajuda. A Índia informou estar em coordenação estreita com o Nepal para operações de resgate, e a Coreia do Sul planeja enviar uma equipe de resposta rápida composta por funcionários do governo, bombeiros e policiais.

Vídeos transmitidos pela imprensa local e publicados nas redes sociais mostram torrentes violentas de água avançando por vales e montanhas, derrubando pontes e barragens e arrastando construções.

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O presidente do Nepal, Ramachandra Paudel, declarou-se “extremamente entristecido” com a “perda de vidas e de bens causada pela enchente repentina”. Ele conclamou o governo, os partidos políticos, as agências e a população em geral a intensificarem os esforços de resgate e assistência.

O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que a organização está ajudando a coordenar os esforços de socorro no Nepal.

“Isso está sendo feito em apoio à resposta liderada pelo governo, em um esforço para atender ao que, claramente, serão enormes necessidades humanitárias”, disse ele. “A comunidade humanitária também está de prontidão para fornecer apoio adicional à medida que as necessidades se tornarem mais claras”.

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