Número de mortos em megaenchente no Nepal e Tibete passa de 1.300
Esforços continuam para encontrar mais de 5.600 desaparecidos nove dias após a tragédia
O balanço de mortos nas enchentes repentinas que atingiram a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, um território autônomo da China, ultrapassou, nesta sexta-feira, 4, a marca de 1.300 pessoas, enquanto mais de 5.620 seguem desaparecidas nove dias após a tragédia, que viu um tsunami de lama engolir casas, estradas, pontes e usinas elétricas depois do colapso de uma geleira.
Segundo o balanço, os dois países contabilizam 1.308 fatalidades: 1.287 no Nepal e 21 na China. Com todos os necrotérios lotados, as autoridades também autorizaram, desde o último domingo, por razões sanitárias, o sepultamento de vítimas sem esperar a identificação formal, após exames de DNA.
Entre as pessoas desaparecidas estão mais de 800 estrangeiros de mais de 30 países: 583 no Nepal e 261 na China. As pessoas não localizadas incluem turistas que viajaram para fazer trilhas no Himalaia, assim como peregrinos hindus em uma jornada espiritual no monte sagrado Kailash, no Tibete.
As autoridades nepalesas também estimam que cerca de 900 trabalhadores estejam desaparecidos em 12 usinas hidrelétricas. Desse total, aproximadamente 500 podem estar presos em túneis.
Resgates
Nove dias depois da catástrofe, as equipes de emergência conseguiram resgatar com vida dois trabalhadores em um túnel de uma usina hidrelétrica no Nepal. Os sobreviventes foram encontrados a cerca de 170 metros de profundidade no túnel da usina Trishuli 3A, uma das instalações afetadas pela avalanche de água, lama e destroços que devastou a região na semana passada.
Imagens divulgadas pelo Exército nepalês mostram Shah saindo da estreita entrada do túnel, completamente coberto de lama. Ao falar com militares após o resgate, sua primeira pergunta foi: “Que dia é hoje?”
Segundo a polícia, as buscas no local foram interrompidas na tarde desta sexta-feira, depois que os socorristas deixaram de detectar novos sinais de vida.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, disse que ainda mantém a esperança de que alguns dos milhares de desaparecidos possam estar vivos.
“Milagres acontecem”, disse ele à agência de notícias AFP. “No momento, não quero perder completamente a esperança.”
Anatomia da tragédia
Uma nova análise visual realizada pelo jornal americano The New York Times constatou que a causa das inundações repentinas e fatais no Nepal e Tibete foi o colapso da rocha matriz na encosta de uma montanha — estrutura que se havia se tornado cada vez mais instável com o passar do tempo, à medida que a geleira no topo da montanha derretia, fruto das mudanças climáticas provocadas pela ação humana.
O resultado foi um enorme deslizamento de terra que liberou 200 milhões de metros cúbicos de rocha e gelo, volume de detritos suficiente para encher cerca de 100 estádios de futebol. Ao despencar em alta velocidade, essa massa transformou-se em um tsunami de água, rocha e sedimentos, matando as milhares de pessoas que estavam em seu caminho.





