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Número de detenções na fronteira entre EUA e México bate recorde histórico

Durante o ano fiscal de 2021, 1,7 milhão de imigrantes tentaram entrar no país de maneira ilegal; número de brasileiros foi quase sete vezes maior

Por Da Redação Atualizado em 20 out 2021, 14h06 - Publicado em 20 out 2021, 13h44

O número anual de imigrantes na fronteira do México com os Estados Unidos bateu recorde no ano fiscal de 2021, que foi de outubro de 2020 a setembro de 2021. Segundo dados do Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteira obtidos com exclusividade pelo Washington Post, mais de 1,7 milhão de pessoas foram detidas pelas autoridades americanas no período. 

O recorde é reflexo da crise migratória enfrentada pelo presidente Joe Biden desde que chegou ao poder, em janeiro. Entre 2012 e 2020, em média cerca de 540.000 pessoas foram detidas anualmente na região, número mais de três vezes menor do que o visto neste ano. A partir de fevereiro, quando restrições da pandemia foram afrouxadas, mais de 100.000 imigrantes foram detidos por mês, até chegar ao ápice em julho, com mais de 213.000 detenções.

Dos 1,7 milhão, a maioria esmagadora foi presa durante a tentativa de realizar a travessia de maneira ilegal, enquanto um número mínimo tentava entrar através de postos oficiais espalhados pela fronteira. 

Os dados ainda serão divulgados de maneira completa ao longo da semana. De acordo com o Washington Post, no entanto, a maioria dos imigrantes era formada por mexicanos,  cerca de 608.000 da quantidade total.

A situação faz com que os Estados Unidos sejam cada vez mais dependentes do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e de uma política que bloqueie o acesso de caravanas ao território americano. 

Em segundo lugar, está a categoria definida pelo governo americano como “outros”, que consiste em imigrantes brasileiros, cubanos e haitianos, por exemplo. Esses últimos estiveram no foco de uma polêmica que escancarou ainda mais a crise migratória americana. 

No final de setembro, um membro do topo da diplomacia americana renunciou ao cargo após chamar a política migratória de Biden de “desumana”, depois da decisão do governo americano de deportar milhares de haitianos de volta ao Haiti no auge de uma crise política e social vivida pelo país. 

O número de brasileiros que tentaram entrar ilegalmente nos Estados Unidos também cresceu. Durante todo o ano de 2020, 7.100 brasileiros foram detidos; em 2021, esse número saltou para 46.410. Para tentar frear a nova onda, o México anunciou na semana passada que irá retomar a obrigatoriedade de vistos para brasileiros

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Outra região de onde sai um grande número de pessoas em direção ao território americano é o Triângulo Norte da América Central, composto por hondurenhos, guatemaltecos e salvadorenhos. Somados, os imigrantes destes três países ultrapassam 680.000. 

Biden inclusive enviou pessoalmente a vice-presidente Kamala Harris para a região para tentar amenizar de alguma forma o problema pela “raiz”, com o anúncio, por exemplo, de centenas de milhões de dólares em ajuda humanitária.

Em viagem diplomática à região, em junho, a vice-presidente desencorajou que pessoas façam a travessia para território americano, dizendo que “se vocês vierem para nossa fronteira, serão mandados de volta (…) Não venham, não venham”.

Quando Biden assumiu o cargo, ele prometeu acabar com a postura linha-dura de seu antecessor, Donald Trump, em relação à imigração. Ele criticou a política de tolerância zero do ex-presidente, que separava famílias de migrantes, e criticou  procedimentos que incluíam manter crianças em “gaiolas”. O novo governo parou de forçar os solicitantes de asilo a esperar pela data do julgamento no México e interrompeu a construção de um muro de fronteira ao longo da fronteira sul do país.

Essas atitudes foram interpretadas pelos imigrantes como um sinal de que a política migratória americana passaria a ser mais permissiva, o que explodiu o número de pessoas tentando entrar de maneira ilegal nos Estados Unidos. 

Pesquisas de opinião mostram que o assunto é o que gera mais impopularidade ao presidente, enquanto suas propostas de resolução são constantemente barradas no Congresso pela ala mais moderada de seu próprio partido e por republicanos. O presidente também enfrentou duras críticas pelo modo que lida com o assunto, sobretudo após o deputado democrata Henry Cuellar divulgar uma série de fotos de um centro de detenção lotado que abrigava crianças migrantes.

Uma das medidas que justificam esse aumento é o Título 42, uma ordem de saúde pública que expulsa imediatamente imigrantes ilegais, sem a tentativa de buscar asilo. A medida foi responsável por 61% das detenções no ano de 2021. 

Especialistas apontam que ela leva a tentativas repetidas de travessia, o que aumenta as estatísticas. Criada durante o governo Trump, a expectativa era de que ela fosse revogada assim que Biden assumisse, no entanto, o governo democrata a renovou por mais dois meses.

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