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NSA grampeou Muhammad Ali e Luther King nos anos 1960

A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos rastreou de forma ilegal as ligações feitas por críticos da Guerra do Vietnã durante a Guerra Fria

Por Da Redação - 27 Sep 2013, 04h02

Personalidades e políticos americanos contrários à intervenção dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã foram espionados de forma ilegal pela Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) no fim dos anos 1960 e começo da década de 1970. Segundo documentos secretos revelados nesta quinta-feira, o boxeador Muhammad Ali, o ativista dos direitos civis Martin Luther King e os senadores Frank Church e Howard Baker tiveram seus telefones grampeados pelas autoridades americanas. A NSA também bisbilhotou as comunicações de jornalistas e até de um escritor humorístico do jornal The Washington Post.

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O jornal britânico The Guardian aponta que a NSA se sentiu desconfortável em tornar público o teor destes documentos, mas foi obrigada pela lei de liberdade de informação após um pedido formal do Arquivo de Segurança Nacional – um instituto de pesquisa independente sediado na Universidade George Washington. De acordo com os arquivos, a própria NSA atestou à época que a operação, batizada de Minaret, “não era respeitosa, e podia até ser considerada ilegal”.

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Todos os resultados da Minaret foram arquivados em papeis com o logo da NSA e direcionados diretamente à Casa Branca, onde os presidentes Lyndon Johnson, que autorizou o programa em 1967, e Richard Nixon tiveram acesso aos registros. Além das sete personalidades citadas nos documentos, a revista americana Foreign Policy apontou que outros três nomes foram incluídos posteriormente na lista de alvos da NSA: a atriz Jane Fonda e os ativistas extremistas Stokely Carmichael e Kathy Boudin.

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Vietnã – Muhammad Ali, por sua vez, se tornou um alvo da espionagem americana após criticar a intervenção no Vietnã, em 1967. Ele foi preso por se negar a servir o Exército, perdeu um cinturão conquistado na carreira e foi banido do boxe. Especialistas acreditam que ele continuou sendo espionado por pelo menos seis anos. “Podemos tirar a lição de que, quando tratamos de uma sociedade não transparente, como os serviços de inteligência que possuem um vasto poder, abusos acontecem com frequência”, destacou Matthew Aid, um historiador que se especializou na NSA, ao The Guardian.

A preocupação da população com a espionagem clandestina de críticos da Guerra do Vietnã levou o Congresso a instalar o debate que deu origem à Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Fisa) de 1978. A medida, no entanto, favoreceu a NSA a montar uma vasta rede de espionagem contra as comunicações de cidadãos americanos, segundo atestaram os arquivos vazados pelo ex-analista de inteligência Edward Snowden. Ironicamente, a Fisa foi criada após um debate mediado pelo senador Frank Church, o mesmo que foi espionado pela NSA anteriormente. “Eu suspeito que o senador Church não fazia ideia de que a NSA tinha grampeado o seu telefone”, constatou Aid.

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