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Novo presidente egípcio quer escolher uma vice mulher

Decisão do líder muçulmano Mohamed Mursi é inédita no país árabe

O recém-eleito presidente egípcio, Mohamed Mursi, deseja escolher uma mulher como vice-presidente, informou nesta terça-feira a rede americana CNN. Mursi, que pertence à Irmandade Muçulmana, já havia afirmado que deseja formar um governo independente, composto por políticos de fora do movimento islamita para ser “o presidente de todos os egípcios”.

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Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, egípcios iniciaram, em janeiro, sua série de protestos exigindo a saída do então ditador Hosni Mubarak, que renunciou no dia 11 de fevereiro de 2011.
  2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em choques com as forças de segurança de Mubarak, que foi condenado à prisão perpétua acusado de premeditar e ordenar esses assassinatos.
  3. • A Junta Militar assumiu o comando do país logo após a queda do ditador e prometeu entregar o poder ao novo presidente eleito, Mohamed Mursi, até o dia 30 de junho.

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De acordo com seu conselheiro político, Ahmed Deif, Mursi vai ainda escolher um outro vice-presidente, que por sua vez deve ser cristão.

“Pela primeira vez na história do Egito”, disse Deif à CNN, “uma mulher vai ocupar esta posição”. O conselheiro afirma ainda que a vice-presidente não vai apenas representar uma facção da sociedade egípcia, “mas ocupar o cargo de maneira poderosa, se ocupando com o aconselhamento crítico do gabinete de Mursi”.

Direitos – Apesar de ter argumentado anteriormente a favor do banimento de figuras femininas na presidência, Mursi afirmou antes da eleição que, se eleito, iria apoiar os direitos das mulheres no país.

“O papel da mulher na sociedade egípcia é claro”, disse o presidente durante uma entrevista à rede americana semanas antes das eleições, “Os direitos das mulheres são iguais aos dos homens. Não deve haver nem um tipo de distinção entre os egípcios”.

O líder da Irmandade Muçulmana também prometeu garantir os direitos das minorias. O Egito “definitivamente” não será uma “república islâmica”, disse Deif.