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Novo Parlamento iraniano pode radicalizar política exterior

Participação popular nas eleições parlamentares de sexta-feira deve ser baixa

Por Da Redação 1 mar 2012, 13h06

A campanha eleitoral para as eleições parlamentares no Irã terminou nesta quinta-feira de maneira insossa, e o novo Congresso poderá radicalizar a política interna e tornar ainda mais difícil as relações com o exterior. Os reformistas islâmicos, cujos principais líderes, Mehdi Karrubi e Mir Hussein Moussavi, estão há mais de um ano incomunicáveis numa prisão domiciliar, foram praticamente excluídos da votação do dia 2 de março. São os seguidores do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, que disputam a maioria das 290 cadeiras.

Pesquisas apontam que a participação popular nas eleições em Teerã ficará entre 35% e 40%, enquanto no resto do país esse número sobe para entre 55% e 60%, principalmente nas pequenas cidades e das áreas rurais, onde Ahmadinejad e seus correligionários realizaram visitas para lembrar a entrega de subsídios a famílias humildes, a construção de casas e outras obras e a criação de empregos. Jornalistas locais e diplomatas em Teerã disseram que na capital, além dos radicais islâmicos, só participarão das eleições funcionários de empresas públicas e pessoas que precisarem de um comprovante de voto para trâmites burocráticos.

Abstenção – Em Teerã, sobretudo no norte, a zona mais rica da cidade, não é fácil encontrar alguém que diga que irá participar das eleições. “Não vou votar, já votei nas eleições presidenciais por Moussavi, e vimos o que se passou. Não vou perder tempo outra vez”, disse o técnico de informática Iliad, de 26 anos. Arezu, uma professora e dona de casa, de 32 anos, tem a mesma opinião. “Só votei uma vez por necessidade, para poder retirar um documento. Não vou votar numa disputa entre eles”, reclamou.

Já o estudante universitário Moulavi, de 19 anos, que pertence à milícia radical Basij, tem postura diferente. “Na universidade, poucos vão votar. Mas eu sim, para reforçar o líder Khamanei e defender nosso país.” Dois taxistas, que trabalham no norte de Teerã e vivem na zona operária do sul, discordam entre si. “Iisto não são eleições. É assim em todos os países muçulmanos”, diz um deles, crítico ao sistema. Já o outro, repete palavras de ordem oficiais. “Vou votar contra o inimigo”, em referência aos Estados Unidos e Israel.

Opositores – Os principalistas, o grupo mais radical do país e seguidores de Khamenei, acusaram Ahmadinejad de má gestão e corrupção, além de considerarem que muitos partidários de presidente não respeitam a primazia religiosa do regime. Se esse grupo conseguir uma vitória arrasadora, a política interna pode se tornar ainda mais radical e restrita, com maior protagonismo dos clérigos xiitas e dos militares, especialmente os que surgiram na Revolução Iraniana e na guerra com o Iraque.

Se os seguidores de Ahmadinejad mantiverem suas cadeiras, ou se aumentarem seu poder, o que é difícil, poderiam ser mais condescendentes na política interna, e principalmente favorecer uma economia mais aberta. As relações exteriores, que não dependem só da postura iraniana, mas também dos interesses na região dos EUA, União Europeia e de Israel, poderiam se radicalizar ainda mais com os principalistas.

Na questão nuclear, ambas as partes coincidem que o Irã não renunciará a seu programa atômico, que afirmam ser pacífico apesar das suspeitas da comunidade internacional. Apesar disso, diferem de como seu prosseguimento pode ser negociado. Enquanto Khamenei não cansa de repetir que o Irã avança com “golpes” e “bofetadas” no inimigo, o governo de Ahmadinejad se mostra timidamente disposto a falar com todos os países, exceto Israel, para solucionar o conflito nuclear e evitar assim mais sanções econômicas.

(Com agência EFE)

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